Abandono de incapaz em questão no Brasil

Enviada em 01/10/2021

Cruella, recente filme da Disney, narra a história de uma criança que foi abandonada nas ruas após a morte de sua mãe. Semelhantemente, na contemporaneidade, muitas pessoas que não possuem condições de viver por conta própria se encontram nessa situação. Nesse sentido, é imprescindível debater acerca de como o abandono de incapaz, no Brasil, está relacionado com a falta de creches que recebam os filhos, durante o período de trabalho dos pais, e com a falta de cuidado com os idosos.

Convém ressaltar, primeiramente, que o déficit educacional do ensino primário dificulta a entrada dos filhos na escola, o que prejudica o exercício do ofício dos pais. Nessa perspectiva, o livro “Flores para Algernon” discorre sobre a vida de Charlie: um garoto com uma doença mental que é enviado a uma escola preparada para recebê-lo, na qual ele consegue adaptar o seu aprendizado. Apesar disso, é sabido que, no país, a demanda por escolas primárias é maior do que o Estado consegue oferecer, o que resulta em uma impossibilidade para matricular os filhos e impede que os pais exerçam seu trabalho sem deixar o filho sozinho. Dessa maneira, o descaso estatal no oferecimento de creches resulta em possíveis abandonos de crianças durante o período do trabalho.

Outrossim, o abandono de incapaz também está ligado a uma não preocupação, por parte dos filhos, com os pais idosos. Nesse viés, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a população acima de 60 anos de idade está em elevado crescimento, em virtude, principalmente, do crescimento da expectativa de vida, a partir da evolução medicinal. Com isso, muitos idosos necessitam de cuidados especiais, o qual, por vezes, é negligenciado pelos filhos, que deixam de auxiliar em atividades rotineiras, como dar banhos, remédios e comida. Desse modo, a falta de cuidado com os pais que apresentam mais idade é um caso explícito de abandono de incapaz.

Infere-se, portanto, que medidas sejam tomadas, com o intuito de reduzir os casos de crianças e idosos abandonados. Assim, é preciso que o Ministério da Educação promova a melhoria de escolas especializadas nos anos iniciais, a partir de investimentos públicos que visem criar novas creches e reformar as que já estão em funcionamento, a fim de permitir com que os pais possam exercer seu ofício enquanto seu filho está estudando. Ademais, cabe ao mesmo órgão instruir a sociedade quanto à importância dos cuidados especiais com os mais velhos, evitando o abandono deles. Por meios como esses, será possível diminuir a incidência de abandono de incapazes e evitar casos como o de Cruella.