Abandono de incapaz em questão no Brasil
Enviada em 15/10/2021
Historicamente, a Revolução Verde, ocorrida de 1960 a 1970, foi responsável pela transição de uma população rural para urbana devido ao crescimento produtivo relacionado ao agronegócio. Assim, houve o inchaço das cidades e o crescimento da desigualdade social, pois agora os indivíduos devem pagar por moradia, transporte e alimentação. Desse modo, a necessidade crescente de complementar a renda, para a manutenção das necessidades básicas da família, tornou recorrente a questão do abandono de incapaz no Brasil, pois a realidade de pobreza dos grandes centros urbanos somada a falta de assistência governamental favorece a abrangência desse processo.
A princípio, o livro “Quarto do Despejo”, da escritora Carolina Maria de Jesus, retrata a realidade da periferia na ausência de qualquer assistência econômica e social. Na obra, ocorre a narração pela personagem principal de momentos em que é preciso abandonar os filhos para sair às ruas em busca de latas e materiais recicláveis a fim de conseguir algum dinheiro. Logo, o abandono de incapaz ocorre diariamente nas famílias carentes devido a busca pela sobrevivência -dinheiro e alimentação- e é estimulada pelo abandono social do governo perante as populações.
Nesse sentido, o compositor Gabriel o Pensador com a música “Até Quando” retrata a vivência do povo brasileiro com relação ao trabalho e as relações familiares no trecho: “Consigo um emprego, começo o emprego, me mato de tanto ralar”, “Acordo bem cedo, não tenho sossego, nem tempo pra raciocinar”, “Brinquedo que meu filho me pede, não tenho dinheiro pra dar”. Portanto, o abandono de incapaz torna-se normatizado pelas populações periféricas as quais necessitam sair para trabalhar e mesmo com tanto desgaste físico e mental a realidade social mantém a falta de acesso a melhoria na qualidade de vida, a inexistência do descanso necessário, visto que a renda mensal não possibilita poder de compra e capital cultural -presentes aos filhos e educação de qualidade.
Afinal, é imperioso para o término do abandono de incapaz em questão no Brasil que o Governo Federal institua mínimos de renda as populações mais vulneráveis, proporcionando a criação áreas de auxílio às famílias, com a ida de agentes públicos até as periferias para comandar o processo. A ação deve ser realizada a partir de profissionais que atendam aos indivíduos e promovam a análise de cada situação financeira -dados da carteira de trabalho, quantidade de pessoas na família com a certidão de nascimento e o local de moradia. Para garantir a rapidez do processo o resultado da aprovação do auxílio é verificada no local e o dinheiro é enviado diretamente na conta bancária. Os efeitos desse ato proporcionarão o aumento da renda mensal das famílias a fim de garantir que ao menos um adulto permaneça em casa assistindo as crianças para promover a melhoria na qualidade de vida de ambos.