Abandono de incapaz em questão no Brasil

Enviada em 03/08/2022

Durante a Idade Média existiu a roda dos enjeitados, que consistia em espaços destinados para abandonar os incapazes em frente as casas de misericórdia. De maneira análoga a isso, o abandono de incapazes no Brasil mostra-se um fator crítico no que tange a negligência aos indivíduos que possuem alguma incapacida-de por parte dos seus responsáveis. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos problemáticos importantes: a educação deficitária e a ineficácia informacional.

Em primeira análise, é notório que a ausência de educação sobre a problemática é fator contribuinte para o aumento do abandono de incapazes, sejam eles portadores de deficiência, crianças ou idosos. Nesse sentido, fica claro que sem uma discussão eficaz que fortaleça e desperte a maternidade, paternidade e à solidariedade familiar, esse problema irá perdurar na sociedade. Consoante a isso, de acordo com o filósofo Pitágoras, “Educai as crianças para que não seja neces-sário punir os adultos”. Desse modo, se não houverem medidas educacionais que discutam o abandono de incapazes, uma parcela social será punida, pois, esse problema é por lei, considerado um crime. Logo, urge que haja o protagonismo estatal diante da falta de debate sobre esse agravante do retrato social.

Além disso, nota-se que a pouca divulgação dos mecanismos de denúncia cor-robora para com o aumento de cidadãos alienados e do crescimento da proble-mática que sem ser denunciada se perpetuará na sociedade, ou seja, quanto me-nos casos de abandono forem denunciados mais eles aumentarão. Sob essa ótica, a teoria das “Instituições Zumbis”, é a definição do sociólogo polonês Zygmunt Bauman para sinalizar as entidades que não cumprem sua função social. Dessa forma, é notório que sem a ação do poder responsável pela inclusão e comunica-ção digital a tendência desse problema é perdurar no campo social.

Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que combatam o abandono de incapazes no país. Dessa forma, é dever do Ministério da Educação e do das Comunicações elaborarem palestras em espaços públicos e propagandas visando formar a responsabilidade, o senso crítico nos indivíduos e divulgar os meios de denúncia já existentes. Somente assim, a sociedade contemporânea não terá semelhanças com a Idade Média e a problemática será resolvida eficazmente.