Abandono de incapaz em questão no Brasil

Enviada em 18/08/2022

“Ninguém respeita a Constituição, as todos acreditam no futuro da nação”. Na música “Que país é este?”, da banda Legião Urbana há a denúncia acerca de diver-sos problemas sociais. Na realidade brasileira, isso pode ser observado na medida em que o individualismo e a falta de reflexão perpetuam o abandono de incapaz no Brasil. Nesse sentido, faz-se imprescindível remediar esse imbróglio em prol da plena harmonia social.

Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange ao abando-nar uma pessoa que esta sob seus cuidados, sendo ela incapaz de se cuidar sozi-nha e de defender-se de riscos. Em virtude disso, há, como consequência a falta de empatia, pois para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar apenas si. Essa liquidez que influi sobre a questão do abandono de incapaz funciona como um forte empecilho para sua resolução.

Além disso, conforme o conceito de “Banalidade do Mal”,cunhado pela filósofa Hannah Arendt, quando uma atitude hostil ocorre constantemente, a sociedade passa a vê-la como banal. Desse modo, isso evidencia a irracionalidade em relação ao abandono de incapaz, configurando a trivialização da maldade que, para Arendt, ocorre quando há falta de reflexão sobre os males ao redor dos indivíduos. Nesse viés, percebe-se que a população normalizou deixar crianças sozinhas, sem a su-pervisão de um adulto. Como consequência, isso tem gerado crianças com sobre-carga de atividades adultas, como cuidar dos mais novos e graves acidentes, pois a vítima é incapaz de defender-se de possíveis riscos.

Dessarte, é mister que o Ministério da educação, quanto instância máxima dos aspectos educacionais do país, promova a ampliação dos debates a respeito do abandono de incapaz. Essa ação pode ser feita por meio de palestras, simpósios e eventos escolares, os quais incluam especialistas do assunto para auxiliar as dis-cussões. Isso será feito a fim de remediar não somente a banalidade do mal e, também, a falta de empatia da população, contrapondo o descaso constitucional denunciado na música “Que país é este”.