Acessibilidade para pessoas obesas em ambientes públicos
Enviada em 15/07/2024
‘‘O brasil e um país onde o futuro nunca chega’’. Com essa frase, Sérgio Buarque de Holanda, historiador e sociólogo, refletiu sobre a falta de progresso e estabilidade na sociedade brasileira. Hoje o pensamento descrito ainda se mostra certeiro, haja vista que a falta de acessibilidade para as pessoas obesas em ambientes públicos é um contrassenso para um país que se propõe a tornar-se bem desenvolvido. Assim, nota-se um revés com contornos específicos, impulsionado tanto pela apatia social, quanto pela negligência governamental.
Nesse prisma, ressalta-se que a impassibilidade social contribui para a persistência das problemáticas relacionadas a ausência de acessibiliade dessa camada social. Nesse contexto, a obra ‘‘Paradoxo Moral’’ escrita pelo filósofo francês Vladimir Jankpelpevitch explica a cegueira ética do homem moderno, ou seja, a passividade das pessoas frente aos impasses enfrentados pelo próximo. Analogamente, percebe-se que o difícil acesso de pessoas obesas no que tange as atividades do cotidiano, encontra um forte alicerce na estagnação social. Essa situação ocorre porque, infelizmente, a sociedade não se movimenta em prol da erradicação dessa questão; pelo contrário, adquire uma postura individualista. Nessa perspectiva, mudança do comportamento social é vital para que esse paradigma seja superado.
Além disso, é válido ressalltar que a inoperância governamental também é um fator agravante da inacessibilidade no Brasil. Diante disso, de acordo com o geógrafo Milton Santos, em seu texto ‘‘As Cidadanias Multiladas’’, a cidadania atinge aa plenitude de sua eficácia quando os direitos do corpo social, em sua totalidade, são homogeneamente desfrutados. Todavia, no cenário atual, a passividade do Estado distanvia os indivíduos obesos dos direitos constitucionalmente garantidos, à medida que estes cidadãos sentem-se excluídos. Dessa forma, enquanto a máquina pública negligenciar suas responsabilidades, o problema perdurará e os direitos dos cidadãos continuarão sendo multilados.
Mediante ao exposto, cabe ao Estado - enquanto garantidor de direitos fundamentais - não só criar projetos voltados a acessibilidade desses indivíduos, como também usar parte do PIB para investir na infraestrutura civil. Tais ações devem ser realizadas com o apoio de todas as esferas, a fim de aplacar tal mazela.