Acessibilidade para pessoas obesas em ambientes públicos

Enviada em 16/07/2024

“Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da Nação”, de forma paralela ao retratado na canção da banda Legião Urbana, é assegurado, por lei, direito a igualdade, a ser tratado como um igual independentemente de cor, raça, etnia, peso corporal e entre outros. Porém, a realidade vivida por pessoas obesas é outra, o problema começa no julgamento da sociedade com elas e vai até a falta de acessibilidade para pessoas com esse transtorno no dia a dia.

Primeiramente, segundo a lógica do pensador Bourdieu, o homem tem seus pensamentos e comportamentos influenciado pelo meio social em que está inserido. Uma vez que os grandes padrões de beleza divulgados por marcas sempre foram o de um corpo magro, atlético e esbelto, é de se esperar que pessoas que têm formas que fogem desse idealismo, são má vistas por uma parcela da população. Além disso, a propagação da ideia de que as pessoas com essa doença são assim por uma espécie de escolha através de um padrão de vida preguiçoso, como o desenho “Garfield” e alguns episódios do programa “Quilos Mortais”, contribuem ainda mais para esse preconceito.

Ademais, apesar de existirem de fato alguns artifícios para a acessibilidade de pessoas obesas nos locais públicos, eles ainda são insuficientes e/ou mal fiscalizados. O custo de uma roupa que sirva em pessoas “plus size” pode ser até três vezes maior que o de uma roupa para pessoas magras. Os banheiros, cadeiras de estabelecimentos públicos e até mesmo os meios de transporte são, muitas vezes, inviáveis para essas pessoas, o que torna pequenas atividades do cotidiano, um grande desafio para essa gente. Diante do exposto, o filósofo Bauman desenvolveu a teoria da Instituição Zumbi, com a definição de que as instituições de fato existem, tal qual o Estado, mas perderam suas funções sociais.

Em conclusão, faz-se necessário o envolvimento do Ministério da Saúde com esse estigma, promovendo entrevistas com essas pessoas, afim de entender o que elas mais necessitam, com relação ao problema de acessibilidade, para que melhorias reais possam ser feitas. Além disso, devem ser criadas campanhas que combatam a falsa ideia que se tem da obesidade relacionada a preguiça, para que essas pessoas tenham uma vida plena e sem preconceitos.