Acessibilidade para pessoas obesas em ambientes públicos
Enviada em 25/07/2024
O livro “A Casa no Mar Cerúleo”, de T.J. Klune, é uma história fantástica que aborda a questão de exclusão social, inclusive aquela relacionada às características físicas individuais. Infelizmente, a temática da obra se relaciona a uma questão real e pertinente na sociedade brasileira: a falta de acessibilidade para pessoas obesas em ambientes públicos. Tal revés ocorre pelo descaso estatal e culmina na fragilização da saúde dessa parcela da população.
Nesse contexto, é notório que o Estado falha em assegurar o bem-estar das pessoas obesas no que tange à locomoção em ambientes públicos. Acerca disso, Michel Focault afirma que é papel governamental garantir a qualidade de vida de todos seus cidadãos e, para isso, deve se atentar às idiossincrasias de parcelas específicas do corpo social. Entretanto, a visão do filósofo não se concretiza na prática, uma vez que a acessibilidade das pessoas que sofrem de obesidade, uma questão de saúde pública, que se configura como um direito previsto pela Constituição Federal de 1988, não está entre as prioridades da esfera administrativa. Desse modo, medidas governamentais que visam ajudar essa parcela da população se tornam urgentes.
Ademais, o precário apoio que as pessoas obesas recebem culminam no isolamento social e agravam um quadro de saúde que já é frágil. Sob esse viés, Simone Beauvoir reitera que a atitude da sociedade e do Estado em relação a um grupo fragilizado determina a superação ou perpetuação da hostilidade vivida pelo grupo. Nesse sentido, a falta de acessibilidade, medida crucial para a prática de lazer e da autonomia individual, faz com que essas pessoas não consigam ter uma convivência social saudável e respeitosa. Isso leva ao agravamento não apenas de sua saúde física, como mental, o que fica evidente em uma reportagem da BBC Brasil que afirma que pessoas obesas estão muito mais propensas a sofrer de depressão, ansiedade e fobia social.
Portanto, medidas estatais são extremamente necessárias. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, juntamente ao Ministério das Obras Públicas, ampliar a acessibilidade nas vias e locais públicos em gerais, através da construção da rampas, assentos mais largos, corrimãos para apoio e planificação dos pisos. Apenas assim, o Estado cumprirá sua função prevista por Focault e um Brasil mais inclusivo será construído.