Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 25/10/2019
No Brasil, em decorrência da falta de criticidade de muitos cidadãos, tornou-se corriqueira a compreensão de que a gravidez na adolescência não afeta drasticamente a dinâmica atual. No entanto, embora essa perspectiva permaneça no senso comum, é preciso notar o quanto esse ponto de vista é ingênuo ao possibilitar que o indivíduo se isente da culpa e aponte culpados.
Entendimentos como “o fato do sexo ser um tabu é uma de suas causas” e “pode afetar a educação dos jovens pais e, consequentemente, o futuro não só de seus filhos, mas de toda a nação” podem ser simplistas. Porém, mesmo que elementares, essas ideias sobre a gestação na juventude ressaltam dados do IBGE, que indicam que 20% dos bebês nascidos têm mães adolescentes ou jovens adultas. Em geral, quando a sociedade não se predispõe a assumir posturas críticas e sensatas, toda a atualização de valores fica propensa a exaltar padrões de conduta nocivos e desvirtuados que banalizam tal problema. Como se não bastasse, há de se atentar, também, à forma perniciosa como diversos segmentos sociais se comportam diante desse assunto, ao subestimar que esse é um problema social, já que, segundo o Ministério da Saúde, tem maior incidência na população marginalizada, de menor renda e escolaridade.
Por conta disso, no debate acerca da gravidez em mulheres de até 18 anos, é preciso enfatizar a urgência do investimento em um maior senso de corresponsabilidade coletiva. Dessarte, em consonância com as ideias da Teoria da Coesão Social, de Durkheim, e do poeta John Donne, não se deve perguntar por quem dobram os sinos, deve-se notar que o fazem por todos. Desse modo, é possível evitar a proliferação de posturas meramente acusatórias que, além de desprezarem a atuação pouco eficaz ou inexistente de agentes públicos, também agenciam o aborto de sonhos e o assassinato de esperanças, ao passo que a educação sexual não é feita adequadamente e isso pode ter como efeitos não só a gestação precoce, mas a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis entre parceiros e de mãe para filho. Sob essa égide, mais do que se eximir da culpa para apontar culpados, os brasileiros devem atentar-se ao seu poder de ingerência e resolução.
Certamente, quando restrita a fatores inoportunos, qualquer iniciativa contra gravidez na adolescência está fadada ao insucesso. Portanto, faz-se necessário que o Estado, por meio da parceria entre os Ministérios da Saúde e da Educação, garanta aulas, durante o ensino médio, sobre sexualidade, para esclarecer dúvidas dos jovens, acompanhadas de palestras para os responsáveis, nas instituições de ensino, a fim de explicitar a importância da conversa sobre esse assunto no ambiente familiar, o que pode facilitar o entendimento dos jovens e inverter o paradigma hodierno.