Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 17/09/2019

Apenas Teoria

A ONU estabeleceu o dia 26 de setembro como o data mundial da prevenção à maternidade precoce a fim de ratificar medidas de educação sexual e prevenção à problemática. No entanto, o combate proposto pelas Nações Unidas, demonstra-se, ainda, utópico diante dos altos índices de gravidez na adolescência. Desse modo, é indubitável associar a discriminação e a evasão escolar à questão vigente no Brasil com o objetivo de atenuar os casos de gestação prematura no país.

Em primeiro plano, há de se analisar que a gravidez precoce é uma temática alvo de inúmeros preconceitos. Sob a ótica do psicanalista Sigmunt Freud, defendida na obra “Totem e Tabu”, símbolos sagrados inibem a liberdade de determinados debates e, assim, corroboram a censura em torno deles. Nesse sentido, é possível observar que a sociedade brasileira é fundamentada, majoritariamente, em raízes religiosas; essas, por sua, vez acabam por inviabilizar a instrução acerca de métodos contraceptivos. Paradoxalmente, entretanto, a mesma camada associada ao tabu em relação à educação sexual, é também precursora da discriminação de mães jovens e somam a sobrecarga psicológica delas, já atingidas pelo trauma gestacional.

De outra parte, cabe ressaltar as consequências da maternidade prematura na evasão escolar. Ocorre que, a gravidez juvenil é fonte de inúmeros estresses que, somados ao preconceito vivido pelas mães em sua comunidade, afetam diretamente seu desempenho escolar e coíbem a formação estudantil delas. Nesse viés, o ciclo da pobreza se configura uma realidade ainda exponencial, visto que com o egresso escolar, as adolescentes afetadas possuem baixa ou nenhuma qualificação para a entrada no mercado de trabalho. Dessa forma, terminam por comprovar a 1° lei de Isaac Newton, uma vez que mantêm-se em uma problemática inerte a respeito de sua vida econômica e social.

Urge, portanto, medidas estatais a fim de atenuar a problemática da gravidez na adolescência. A esse respeito, o Ministério da Saúde pode inserir programas em parceria com a mídia, de modo a promover campanhas educacionais, além de incluir personalidades de influência na faixa etária a qual se direciona e, com isso, possibilitar a entrada de debates a respeito da gestação precoce. Ademais, é papel do governo promover ações de incentivo ao regresso escolar das adolescentes que já encontram-se em atividade maternal. Para tanto, o Ministério da Educação deve disponibilizar horários flexíveis na grade curricular dessas jovens, além de contribuir com sua reinserção na comunidade escolar e em seu exercício por meio de palestras, atividades coletivas das turmas a qual estão inseridas. Assim, o dia 26 de setembro poderá deixar de ser apenas teoria na realidade brasileira.