Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 29/08/2019

No filme Juno, é retratada a história de uma adolescente que precisou amadurecer contra o tempo ao engravidar de maneira indesejada e decidir que a adoção era o melhor caminho para o bebê. Não obstante, tal questão transcende a arte e se faz presente na realidade de milhares de jovens brasileiras. Por conseguinte, os óbices no sistema educacional somado aos tabus ligados a sexualidade e a ineficiência do Estado no que tange a difusão de projetos de planejamento familiar, agravam ainda mais este entrave na sociedade brasileira. Por isso, essa realidade se torna um agrave a ser resolvido não apenas pelo poder público, mas também por todo corpo social.

A priori, cabe a ressalva aos óbices na grade escolar em relação à educação sexual. Pois, muitas escolas não abordam esse assunto por causa do tabu envolvido nessa questão. No entanto, a falta de comunicação gera a alienação desses jovens, o que resulta na gravidez indesejada e todos os entraves que esta traz consigo, como por exemplo, o abandono dos estudos por grande parte das novas mães, o que lhes confere um futuro incerto. Além disso, a taxa de maior incidência desses casos, de acordo com o IBGE, são em regiões de vulnerabilidade socioeconômica, onde muitas jovens não têm apoio familiar e nem do parceiro. Por conta disso, é de suma importância romper com os tabus do senso comum intrínsecos na sociedade, exemplificados pelo sociólogo Durkheim como fatos sociais.

Somado a isso, há também a ineficiência do Estado em propagar projetos de planejamento familiar. Pois, muitas vezes faltam verbas para a aquisição de métodos contraceptivos, o que compromete o trabalho das unidades básicas de saúde. Além disso, a falta de propaganda em mídias sociais dificulta o acesso à informação. Isso faz com que, os índices de gravidez na adolescência continuem aumentando de maneira exponencial na sociedade brasileira, pois as reduções ainda são minímas quando comparadas ao cenário internacional. Sendo necessário, que o corpo social junto ao poder público discutam soluções para esse entrave que atinge grande parte da juventude no Brasil a cada ano.

Portanto, o educador Paulo Freire cita que se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. Ou seja, para isso é necessário que o Ministério da Educação por meio da reformulação da grade escolar insira aulas sobre educação sexual nas escolas, a fim de conscientizar os jovens sobre os riscos a serem evitados. Também, que o Estado crie campanhas, por meio das redes sociais, a fim de informar um maior número de pessoas sobre os projetos nos postos de saúde. Por fim, que se intensifique por meio de verbas a aquisição de métodos anticoncepcionais à disposição da população. Somente assim, será possível resolver este agrave na sociedade brasileira.