Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 24/10/2019

O filósofo Hegel, no século XIX, propõe uma analogia cujo teor auxilia a pensar nas questões sociais que envolvem o curso da história: “A coruja de minerva só voa ao anoitecer”. Nesse sentido, sua proposição revela que é preciso um decorrer de tempo a fim de que o Homem alcance sabedoria para lidar com suas questões problemáticas. Tendo isso em vista, pode-se perceber que, na contemporaneidade, a realização de ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência é de grande importância para a plena manutenção da saúde das jovens no país. Assim, hão de ser analisados os fatores para a gestação precoce a fim de liquidá-los de maneira eficaz.

De fato, há contratualmente a missão de a constituição ser cumprida por todos os governos. No entanto, podem-se perceber comportamentos omissos por parte do Estado, o qual falha em assegurar com inteligência recursos básicos de saúde para a população, sobretudo a parcela que vive a árdua realidade econômica do país. Esse panorama se evidencia a partir dos dados coletados pelo Ministério da Saúde, em 2015, no qual consta que 20% das mães adolescentes do país advém de famílias com baixa escolaridade e escasso acesso à saúde pública de qualidade. Logo, é substancial a alteração desse quadro pelo efetivo cumprimento do artigo 6 da Constituição pelo Poder Público, oferecendo recursos médicos à toda parcela populacional necessitada, visto que é um direito alienável à vida..

Outrossim, é imperativo pontuar que a gravidez na adolescência tem forte ligação com fatores socioculturais. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso psiquiatra infantil Malvin Lewis, no qual afirma que os pais são como modelos para as atitudes dos filhos, moldando-os conforme suas ações. Isso se torna mais claro, por exemplo, ao associar o histórico de famílias cujas mães deram à luz na adolescência com o recente cenário, onde suas filhas também tornaram-se gestantes cedo. Ora, acerca disso, é possível relacionar a falta de diálogo parental, seja por questões religiosas ou por tratar o assunto como tabu, com a realização de ações de planejamento reprodutivo, objetivando reduzir a reprodução desse histórico familiar e contornar os índices de complicações decorrentes da gestação precoce.

Depreende-se, portanto, a necessidade de ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência. Para tanto, a fim de minimizar os casos de gestação precoce, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Governo Federal, a fiscalização do recebimento de suprimentos médicos pelos postos de saúde das diversas cidades do país, sobretudo as áreas marginalizadas socialmente, através de funcionários públicos inspecionando mensalmente o balanço financeiro estipulado, bem como a contratação de obstetras e psicólogos. Desse modo, o Brasil alçará o voo proposto por Hegel.