Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 30/08/2019
O livro “A Desumanização”, de Valter Hugo Mãe, narra a história de Halla, uma islandesa que engravida aos 11 anos de idade e é, por ter uma “semente podre no ventre”, maltratada pela vila onde mora. Assim como Halla, muitas adolescentes tornam-se gestantes devido à pouca – ou nenhuma – educação sexual que receberam e ao pouco engajamento no meio estudantil. Então, para reverter esse quadro, são necessárias ações governamentais que melhorem a qualidade de vida dessas jovens.
A princípio, a precária educação sexual fornecida pelas escolas é um dos fatores determinantes para o alto número de casos de gravidez na adolescência. Isso prejudica a saúde das jovens, que terão dificuldade em se relacionar com seus parceiros, além de potencializar a disseminação de doenças sexualmente transmissíveis, como afirma o médico Dráuzio Varella em seu livro “Borboletas da Alma”. Dessa forma, o papel das instituições escolares para combater a desinformação acerca de temas como o uso de preservativos e a sexualidade, junto à desmistificação de preconceitos gerados em torno do tema, os quais impedem o diálogo a seu respeito, é decisivo na diminuição da gravidez na adolescência.
Além disso, o comumente fraco vínculo aluno-escola contribui para atitudes que prejudicam – ou até anulam – o rendimento estudantil. De acordo com o Ministério da Saúde, as taxas de gravidez na adolescência diminuem conforme aumenta a escolaridade, porém, com o ensino público básico brasileiro ainda precário, esses casos permanecerão constantes até que ações sejam realizadas para mudar o cenário. Logo, as escolas devem manter-se ativas no cotidiano de seus alunos e estimular seu engajamento na vida acadêmica, no intuito de impedir que haja sua evasão – fator que pode ser fruto ou causa da gravidez na adolescência – ou outros problemas que estão entrelaçados a esse fenômeno
Portanto, o papel das escolas é primordial para reduzir a gravidez na adolescência. Elas devem inserir em suas atividades a educação sexual, por meio de aulas e palestras de profissionais da área, como psicólogos, ginecologistas, urologistas e pediatras, a fim de esclarecer a importância de cuidar da própria saúde e facilitar a conversação não apenas entre alunos e educadores, mas também entre pais e filhos. Ademais, as escolas também devem estimular o interesse dos alunos pelo meio estudantil, através de feiras de ciências, olimpíadas científicas e atividades lúdicas, como dança, teatro e música, com o intuito de aumentar sua participação ativa na instituição e, consequentemente, diminuir as problemas que possam prejudicar o desenvolvimento escolar. Com isso, pode-se garantir a redução da gravidez na adolescência.