Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 31/08/2019
O filme “Juno” conta a história de uma adolescente que engravidou aos 16 anos e encontrou novos pais para adotarem seu filho. Fora das telas, no Brasil, uma gravidez precoce acarreta muitos problemas e não se resolve tão fácil como no filme. Nesse contexto, tal questão decorre da inoperância estatal em relação ao tema, a qual não oferece uma educação sexual nas escolas. Consequentemente, as implicações sociais advindas do assunto continuam existindo e ele permanece um tabu. Desse modo, são necessárias ações governamentais para mudar esse quadro.
A princípio, é preciso traçar as consequências sociais e econômicas de uma gravidez na adolescência. Nesse sentido, quando uma jovem engravida, é comum que ela interrompa os estudos. Por conseguinte, inicia-se um ciclo de pobreza, pois, sem escolaridade, as chances de inserção no mercado de trabalho diminuem, bem como a perspectiva de futuro dessa mãe; logo, toda a estrutura econômica do país sente. A esse respeito, o filósofo Rousseau pontuou que a desigualdade tende a se acumular. Dessa maneira, famílias pobres e com pouca instrução terão filhos que crescerão nas mesmas condições com poucas chances de ascenderem socialmente. Diante disso, para quebrar esse ciclo tão prejudicial ao desenvolvimento do Brasil, é imprescindível a atuação governamental.
Sob essa perspectiva, a informação é a medida mais eficaz no combate à problemática. Por essa razão, o Estado tem o dever de desconstruir os paradigmas acerca do tema e não deixar que ele seja um tabu, mediante a implementação da educação sexual nas salas de aula. Nessa conjuntura, o governo estaria em conformidade com a teoria da tábula rasa, do filósofo John Locke, a qual aponta que a mente é uma folha em branco ao nascer e, por isso, qualquer pessoa pode ser transformada por uma boa educação. Com efeito, ao oferecer nas escolas fontes confiáveis de informação sobre métodos contraceptivos, os adolescentes ficarão cientes dos riscos de uma relação sexual desprotegida, o que diminui as chances de gestações indesejadas.
Fica claro, portanto, que a incidência de gravidez entre os jovens prejudica o desenvolvimento do país e deve ser combatida. Para isso, o Ministério da Educação, órgão máximo da diligência do ensino, deve incluir a disciplina de educação sexual nas escolas. Isso pode ser feito por meio de reforma na ementa curricular, de modo a acrescentar aulas de biólogos, enfermeiros e psicólogos, com métodos didáticos condizentes a cada faixa etária como teatros, rodas de discussão e exposição de documentários, a fim de fornecer informações sobre métodos contraceptivos e locais onde eles estão disponíveis, rumo à formação de uma juventude preparada e protegida para iniciar a vida sexual. Assim, munidos de informação, adolescentes como Juno não enfrentarão uma gravidez precoce.