Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 31/08/2019
Em meados do século passado, o escritor austríaco Stefan Zweig mudou-se para o Brasil devido à perseguição nazista na Europa. Bem recebido e impressiona com o potencial da nova casa, Zweig escreveu um livro cujo título é até hoje repetido: “Brasil, país do futuro”. Entretanto, quando se observa a negligência governamental em instigar medidas efetivas para atenuar os altos índices de gravidez precoce no país, percebe-se que a profecia não saiu do papel. Nesse contexto, deve-se analisar as rezões que fazem dessa problemática uma realidade.
Em primeiro plano, cabe ressaltar que consoante dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de cada cinco bebês que nascem, um tem a mãe menor de idade. Dessa forma, infere-se que as alarmantes taxas de gravidez durante a puberdade decorrem de uma grave falha no Sistema Educacional, haja vista que as instituições de Ensino possuem o dever de levar conhecimento aos jovens e lhes mostrar caminhos alternativos. Com isso, torna-se notório que a ausência de Educação Sexual nas instituições burla os direitos de tais indivíduos devido a falta de informação. Em meio a isso, uma analogia com a educação libertadora proposta por Paulo Freire mostra-se possível, uma vez que o pedagogo defendia um ensino capaz de estimular a reflexão e, dessa forma libertar o jovem da situação a qual encontra-se sujeito, nesse caso a gravidez na adolescência.
Outrossim, com o desdobramento dessa temática, percebe-se que a inoperância do Sistema Único de Saúde (SUS), no que tange a medidas protetivas mais eficazes contra a gravidez na adolescência, também corrobora para o agravamento dessa problema social. Assim, desprende-se que os jovens são irresponsáveis e imprudentes com relação aos métodos contraceptivos tradicionais e em muitos casos por falta de informação, não usufruem de preservativos e assim ficam mais suscetíveis à uma gestação indesejada. Nessa conjuntura, constata-se que é preciso quebrar esse tabu social, e ofertar métodos contraceptivos mais eficazes e duradouros às meninas.
Portanto, é imprescindível que a Esfera Pública instigue projetos para amenizar essa realidade. Logo, é necessário que o Mec em parceria com a Secretária de Educação insira na grade obrigatória das Instituições de Ensino fundamental e Médio a disciplina: Educação Sexual, com o objetivo de educar os jovens no que tange à prevenção e orientação sexual. Tais aulas podem ser semanais e aplicadas aos alunos da 8° série em diante, se preciso pode ser estendida no inicio do Ensino Fundamental (5° série). Para que tais ações sejam efetivas é de extrema importância que o SUS oferte métodos contraceptivos mais eficientes às meninas, como o DIU -dispositivo intra uterino- que possui um longo prazo de validade. Sob essas ações, o Brasil do futuro vislumbrado por Zweig estará mais tangível.