Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 31/08/2019

De acordo com uma pesquisa realizada pelo DATASUS, uma a cada cinco crianças que nascem no Brasil é filha de uma adolescente. Sob esse aspecto, é de grande importância, conscientizar e trazer à tona, a necessidade de combater a gravidez na adolescência, pois, apesar de haver um fluxo de informações na sociedade, ainda faltam habilidades para tratar sobre o tema em questão corretamente.

Observa-se, em primeira instância, que atualmente, os meios de comunicação são responsáveis por grande parte das informações recebidas pelos jovens, que não têm discernimento para saber se são corretas, distorcidas ou incompletas. Enquanto os pais se calam, por não ter um relacionamento aberto com os filhos, e a escola prega orientações puramente científicas, já que, a maioria dos jovens têm noção do uso do contraceptivo, mas entre saber e usar tem um grande abismo, a mídia vende o sexo como mercadoria de consumo, encontrando ávidos fregueses entre os adolescentes. Segundo a pesquisadora Anita Chandra, os adolescentes recebem uma quantia considerável de informações sobre sexo por meio da TV, e a programação geralmente não destaca os riscos e responsabilidades do ato. Dessa forma, é imprescindível que meios de orientar os jovens corretamente sejam criados.

Deve-se abordar, ainda, que a gravidez precoce oferece risco não apenas para o bebê, mas para a mãe também. Sabe-se que as adolescentes, entre 11 e 15 anos, ainda não têm maturidade do sistema reprodutor, pois ele ainda não foi totalmente desenvolvido. Em razão disso, os riscos de ocorrer aborto espontâneo, parto prematuro ou hipertensão arterial são maiores, como afirma a obstetra e coordenadora da maternidade de Alto Risco, Rosângela Maldonado. Além disso, o fato de as jovens não conseguirem contar para a família sobre a gravidez, por medo ou vergonha, acaba atrasando o pré-natal, e elas não conseguem acompanhar a saúde do bebê corretamente, correndo o risco de não saber se ele terá algum problema, visto que, conforme a Dra. Evelyn Eisenstein, 20% da mortalidade infantil no Brasil, decorrem do óbito precoce de bebês nascidos de mães entre 15 e 19 anos.

Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, promover ações educativas, como oficinas e palestras, nas escolas, ministradas por profissionais da saúde, voltadas não apenas para os alunos, mas para as famílias também, com o objetivo de ampliar o diálogo entre pais, filhos e escola, desmistificando o tabu do sexo. Ademais, a mídia, como principal influenciadora, deve investir na realização de campanhas educativas e abrir espaço para a promoção de debates sobre sexualidade e uso de contraceptivos, monitorados por obstetras e ginecologistas, para que, assim, os jovens sejam devidamente informados e o índice de gravidez precoce diminua.