Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 31/08/2019

Na obra cinematográfica “Simplesmente Acontece”, Rosie é uma jovem recém formada no ensino médio e se depara com uma gravidez indesejada, tendo assim que abandonar seu grande sonho de estudar na universidade na qual havia sido aceita, ainda tendo que lidar com os julgamentos de amigos e familiares. Analogamente a ficção, essa é uma realidade bastante presente no Brasil, onde adolescentes engravidam e perdem oportunidades de estudo, se sujeitam a trabalhos ilegais, além de sofrerem preconceitos e julgamentos por tal situação, cujas razões estão enraizadas na cultura brasileira há séculos.

A priori, é importante ressaltar que no Brasil a cada mil meninas de 15 a 19 anos 68,4 possuem um filho. Esses números são alarmantes pois representa um fator atenuante para desigualdade social. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Ministério da Educação, a gravidez é responsável por 18% da  evasão escolar entre meninas. Esses indivíduos abandonam os estudos para trabalhar ou se dedicar ao filho, impedindo assim sua formação e garantia de um futuro melhor para si e seu herdeiro. Ademais, a gravidez precoce gera problemas psicológicos, advindos da pressão vinda nova responsabilidade e, ainda, do preconceito e falta de empatia da sociedade com a jovem mãe.

Evidentemente, essa mazela social possuí raízes na construção sociocultural brasileira. Um país de maioria cristã, onde o patriarcado se mantém muito presente, a virgindade é considerada uma virtude e deve ser preservada pelas adolescentes, isso transforma a educação sexual em um tabu. Tabu esse que não é abordado em casa e nas escolas é explanado de forma demasiadamente distante da realidade. Consequentemente, muitos jovens se relacionam sexualmente sem as informações necessárias e além de gerarem a gravidez indesejada, muitas das vezes, adquirem doenças sexualmente transmissíveis.

Portanto, para mitigar as mazelas causas pela gravidez precoce é necessário que algumas medidas sejam tomadas. Cabe ao Ministério da Saúde incentivar professores a abordar sobre educação sexual em sala de aula de modo mais intimista e próximo aos alunos, oportunizando a esses professores cursos de especialização sobre o assunto, para assim garantir a informação aos jovens. Outrossim, cabe a mídia abordar sobre o assunto em seus veículos, seja nas novelas ou em reportagens, mostrando as consequências na vida de uma mãe prematura, objetivando alertar a população. Desse modo, torna-se possível permitir que, ao contrário do que aconteceu com Rosie, outras garotas possam seguir seus sonhos.