Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 01/09/2019
De acordo com dados do Ministério da Saúde, em 2015, 574 mil crianças nasceram de mães entre os 10 e os 19 anos de idade. Nesse sentido, é inegável o fato de a gravidez na adolescência ser uma problemática social no Brasil. Isso ocorre tanto pela falta de educação sexual nas escolas, quanto pela crescente cultura de sexualização precoce que foi intensificada por um subtipo do gênero Funk, denominado Funk Proibidão. Portanto, urgem medidas sociais e estatais para mitigar essa grave problemática.
Em primeiro lugar, é necessário analisar da perspectiva sociológica a formação da sociedade brasileira. Esta foi fundamentada em pilares fortemente ligados ao cristianismo, que prega a exaltação da virgindade e da pureza. Logo, é possível perceber que, por causa dessa raiz ligada ao cristianismo, com o passar das gerações criou-se um paradigma em torno do sexo o que impediu sua discussão tanto na escola quanto dentro da própria família. Dessa forma, é perceptível que mesmo com propagandas, inúmeros métodos contraceptivos, se faz necessário colocar em voga discussões sobre sexo, gravidez e métodos contraceptivos a fim de quebrar o tabu em torno dessa temática.
Em segundo lugar, é válido ressaltar o impacto do que se ouve no comportamento humano. Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de Pittsburgh e publicada na BBC, crianças e adolescentes de 13 a 18 anos que frequentemente escutam músicas com versos de sexo explícito, assim como no Funk Proibidão, tendem a fazer sexo cerca de 2,5 vezes mais do que jovens que não escutam frequentemente. Outro fator causado pelo funk proibidão é a glamourização da sexualidade através dos seus videoclipes com milhões de acessos. Somado a isso, segundo o Viés de Grupo, conceito da Psicologia, o jovem é mais suscetível a aceitar determinados comportamentos em nome de sua aceitação social, ou seja, num mundo onde o sexo é glamourizado é natural que a criança/adolescente adote esse comportamento tão precocemente.
Portanto, fica evidente a necessidade do Estado intervir a fim de quebrar o tabu e também desglamourizar o sexo precoce. Isto pode ser obtido através da parceria entre o MEC (Ministério da Educação) e o MS (Ministério da Saúde)através dos médicos e psicólogos, instruir e acompanhar os professores que instituirão, nas escolas, através de atividades lúdicas, (teatro, debate, palestra) a educação sexual a fim de não estimular a sexualidade precoce, mas sim ensinar sobre todos os riscos, consequências, tirar dúvidas. Além disso, é importante que o Poder Público em parceria com o MS, instrua os pais sobre os impactos do que o filho escuta e assiste no seu comportamento. Dessa forma, o tabu em torno da sexualidade será rompido e a gravidez precoce será mitigada.