Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 02/09/2019
Fruto de uma análise sociológica acerca da realidade brasileira, o documentário “Meninas”, dirigido por Sandra Werneck, aborda o cotidiano de quatro garotas que se tornaram mães durante a adolescência. O longa-metragem evidencia a relação entre classes sociais e a ocorrência de gestações não planejadas no decorrer da juventude, além disso, discute a ineficácia da educação sexual brasileira, um dos fatores determinantes para os índices nacionais sobre sexualidade.
O desenvolvimento social está diretamente relacionado a bons níveis de educação e renda, o que não é a realidade de boa parte da população do Brasil. Em decorrência disso, é possível observar os elevados níveis de gravidez na adolescência, números que de acordo com o Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos - Sinasc são maiores que a média mundial. Esses são dados que justificam a Teoria Demográfica Reformista, que explana o resultado da ausência estatal na garantia de qualidade de vida para os menos favorecidos.
Nesse processo, a educação sexual, que é considerada uma temática delicada nas mais distintas instituições sociais, mostra-se faltante, visto que no documentário de Werneck as meninas entrevistadas não reconheciam a importância dos métodos contraceptivos. De acordo com Foucault, a tônica sexual é tratada com proibicionismo pela sociedade ocidental, o que corrobora a visão repressora do assunto, bem como a interdição de debates sobre. Em outras palavras, quando não há a discussão sobre determinados conteúdos, florescem novos problemas para o poder público.
É evidente, portanto, a necessidade de acolhimento para jovens que engravidaram sem preparação socioeconômica. Por isso, núcleos regionais da ação social devem fornecer prioridade em vagas nos centros de educação infantil, possibilitando o sequenciamento de estudos para meninas que deram à luz durante a juvenilidade. Outrossim, o Ministério da Educação deve reforçar a discussão sexual dentro de educandários com a presença de profissionais da saúde, bem como organizar palestras em praças públicas, estimulando pais a debaterem com seus filhos, pois assim é possível atenuar o ciclo de baixo desenvolvimento social devido à falta de informação.