Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 03/09/2019

Em sua obra “O cortiço”, o autor Aluísio Azevedo expõe as mazelas que podem ser geradas pelo sexo não seguro e desenfreado. Fora da páginas, é fato que a população brasileira também enfrenta as consequências de uma prática sexual desinformada, dentre elas, a gravidez na adolescência. Desse modo, a cultura do sexo exibida pela mídia somada ao déficit de políticas educacionais adequadas alavancam, significativamente, os índices de gestação precoce no país.

A princípio, reconhece-se como o panorama supracitado é fortalecido pelos meios midiáticos. Segundo o sociólogo Noam Chomsky, a mídia pode atuar de maneira destrutiva na vida de seus telespectadores, criando padrões de comportamento nocivos a quem consome o produto midiático. Dessa forma, a sexualização precoce exibida em novelas de adolescentes e em letras de funks promíscuas e misóginas provocam estímulos aos jovens de iniciarem sua vida sexual e amorosa mais cedo, aumentando, consequentemente, as chances de concepção na recém puberdade.

Além disso, é ponto pacífico inferir que o principal agravante para que essa sexualização precoce culmine em gravidez é a negligência governamental no que tange esse assunto. Acerca disso, rememora-se o discurso do pedagogo Paulo Freire, que disserta que o papel fundamental da educação se alicerça na criação de elos entre o que se aprende na escola e o melhoramento da vida social do discente. Logo, se o tema do sexo é tratado como tabu pelo sistema de ensino devido a Grade Comum Curricular não contemplar essa problemática em seu conteúdo programático, é de se esperar que práticas de sexo seguro e em uma idade adequada tornaram-se rarefeitas, já que esses jovens não saberão, por meio da escola, como pratica-las da forma correta.

Destarte, é mister que o Estado atue a fim de dirimir os índices de gravidez na adolescência no Brasil. Para tanto, faz-se necessário que o Ministério da Educação e Cultura crie uma série de aulas sobre Educação Sexual já no ensino fundamental. Essas aulas poderiam, por meio de vídeos e conversas com especialistas, denunciar os efeitos negativos que a cultura sexual imposta pela mídia pode provocar e, de maneira profilática, explicar como praticar sexo de maneira segura usando métodos contraceptivos. Dessa maneira, pode-se conceber um país onde o Governo não seja mais negligente e os adolescentes não sejam vítimas da falta de informação, como os personagens de “O cortiço”.