Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 03/09/2019

Dos 12 aos 18 anos, há uma transformação grande e lenta nos corpos dos jovens bem como uma explosão de hormônios que desequilibram o seu estado mental. Junto a isso, pode existir mais um complicador: a gravidez precoce. Visto que ainda existem muitos tabus e machismo acerca do tema e falta de políticas públicas para melhor informar a população.

Além disso, essa situação gera um ciclo perpétuo de pobreza e submissão. Segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNPFA), entre as jovens grávidas, de cada cinco, três não trabalham nem estudam; 66% apresentam a mesma situação que sua mãe e avós também passaram e a maioria se concentra na região Nordeste. Esses dados deixam claro que há relação entre pobreza e, consequentemente, falta do Estado assim como de informação com os casos de gravidez na adolescência. De forma que essas jovens dificilmente não só não conseguirão melhorar sua qualidade de vida como também influenciará na dos seus filhos.

Em consequência disso, nota-se que é necessário se empoderar. Como disse Simone Beauvoir: não se nasce mulher, torna-se mulher. De fato, há toda uma construção social de que a menina deve carregar todos os valores morais e tradicionais da família na sua sexualidade, reprimindo-as. Isso não as permite que tenham a mesma liberdade sexual que os meninos e sejam sempre julgadas. Elas precisam estar mais empoderadas para exigir que seus parceiros encarem as responsabilidades de uma vida sexual que é, muitas vezes, sinônimo de masculinidade e possam se impor em um relacionamento. É necessário que haja uma mudança cultural para que as jovens possam viver sua sexualidade plenamente e possam se cercar de direitos e conhecimento para que não seja mais vergonhoso falar sobre sexo assim como garantir que os garotos saibam das consequências de uma vida sexual ativa.

Logo, é fundamental que o Estado garanta perspectiva de vida aos seus jovens, ao passo que, de acordo com um estudo do Banco Mundial, o Brasil perde US$ 3,5 bilhões anualmente devido à gravidez na adolescência e milhares percam a chance de melhorar de vida. Embora exista uma lei que cria a semana nacional de prevenção à gravidez na adolescência, é necessário que nesse debate também seja promovida a igualdade de gênero, fator fundamental nessa questão, e os pais também sejam inseridos nas discussões para que a escola não se torne um mundo paralelo aquém da realidade em que se vive. Além do Ministério da Educação que deve criar o programa educativo e repassá-lo para as escolas, o Assistencialismo Social também deve estar presente porque é ele que, geralmente, é a ponta que recebe essas jovens e está ciente das vulnerabilidades de cada região da comunidade.