Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 04/09/2019
É garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, desde 1990, o direito a integridade física e mental a todos os menores de 18 anos. Entretanto, o aumento dos casos de gravidez na adolescência, seja pela influência da mídia ou por relacionamentos inconsequentes, impede que esse direito seja desfrutado na prática por esses jovens. Diante dessa perspectiva, torna-se necessário o debate sobre o tema.
Convém analisar, primeiramente, a influência da mídia nessa problemática. Dada a importância do uso de preservativos, a fim de evitar gravidez indesejada e prevenir doenças sexualmente transmissíveis (DST), seria sensato pensar que as escolas levantassem o debate sobre o tema para orientar seus alunos. No entanto, isso não ocorre na prática e muitos desses adolescentes, que, por vergonha, também não dialogam com seus parentes, têm sua sexualidade influenciada por filmes e novelas que banalizam o sexo. Isso pode ser explicado pelo conceito de “Fato Social” do sociólogo Émile Durkheim, devido à capacidade da mídia em interferir no modo de agir e pensar desses indivíduos. Consequentemente, esses jovens iniciam sua vida sexual cada vez mais cedo, aumentando, assim, a quantidade de casos de gravidez na adolescência.
Cabe destacar, também, que o formato das relações contemporâneas influenciam nos números de adolescentes grávidas. Analisando-se a supracitada banalização do sexo, verifica-se a existência de muitos relacionamentos temporários, que buscam, somente, satisfazer prazeres imediatos. Tal situação pode ser explicada pela teoria da “Modernidade Líquida” do filósofo Zygmunt Bauman, na qual as ações e relações humanas se tornaram efêmeras. Nessa lógica, os jovens se envolvem nesses relacionamentos não planejados, sem se preocupar com nenhum tipo de consequência, como uma possível gravidez indesejada.
Fica claro, portanto, a necessidade da tomada de medidas que possam resolver esse problema. Nesse sentido, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, deve criar campanhas de conscientização para alunos e pais. Isso pode ser feito por meio da promoção de palestras abertas à comunidade, ministradas em escolas, por profissionais da saúde, a fim de levantar o debate sobre temas como a utilização de preservativos, a influência da mídia na sexualidade dos jovens e os perigos dos relacionamentos inconsequentes nessa idade. É interessante, também, que durante tais palestras ocorra a distribuição gratuita de camisinhas. Dessa forma, espera-se que a juventude seja melhor orientada sobre o assunto, resultando na diminuição dos casos de gravidez na adolescência.