Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 06/09/2019
O documentário “Meninas”, retrata a vida de quatro jovens, menores de 18 anos, que precisam abandonar seus sonhos e objetivos em decorrência de uma gravidez precoce, além de mostrar os obstáculos que precisam enfrentar, advindos da mesma. De maneira análoga, um relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde, revela que no país, há aproximadamente 68 bebês nascidos de mães adolescentes a cada mil meninas de 15 a 19 anos. Apesar da diminuição ocorrente nos índices, os números permanecem altos, sendo motivos de alerta. Dessa forma, nota-se a indispensabilidade de compreender as motivações do problema, com o objetivo de minimizar esse quadro.
Convém ressaltar, a princípio, que o tabu existente a cerca do assunto, está entre as razões que contribuem para a permanência dessa problemática, principalmente, no ambiente familiar, que possui um importante papel na formação dos juvenis. Consoante ao filósofo Michel Foucault, em sua obra “a ordem do discurso”, nossos modos de falar e pensar são controlados por um conjunto de regras, muitas vezes inconscientes, que são impostas pelas condições históricas em que nos encontramos, que fazem com que muitos temas sejam silenciados na sociedade. Desse modo, muitos familiares não se sentem incumbidos de dialogar com os mancebos sobre os cuidados necessários referentes à vida sexual.
Deve-se abordar, ainda, que muitos casos estão relacionados à desigualdade social, haja vista que a população mais carente não possui o mesmo alcance à informação ou ao serviço de saúde que outras classes sociais. Dessa maneira, muitas meninas utilizam os métodos contraceptivos de forma incorreta ou não possuem um acompanhamento médico com ginecologistas, por exemplo. Uma pesquisa realizada pelo Fundo de População das Nações Unidas, confirma que mulheres pobres, com pouca instrução e vivendo em áreas rurais, têm menos opções para evitar uma gestação ou ter acompanhamento com um profissional qualificado.
Evidencia-se, portanto, que ações são essenciais para alterar esse cenário. Logo, é fundamental que o Governo Federal, em parceria com o MEC, realize palestras através do Programa Saúde nas Escolas, com especialistas em sexualidade juvenil, e a inclusão da família, com o intuito de instruir sobre a importância do diálogo nas residências, para a eliminação do preconceito ligado a temática. Outrossim, cabe ao Ministério da Saúde, proporcionar uma expansão do Programa Saúde da Família em locais vulneráveis, para uma melhor distribuição de contraceptivos e auxiliar sobre seu uso, além de possibilitar melhor acesso à consultas, a fim de alertar sobre os riscos à gestante na juventude, sanar dúvidas e propiciar a prevenção. A partir dessas ações, espera-se garantir a solução desse impasse.