Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 05/09/2019
Na obra cinematográfica “O quarto de Jack”, a personagem central é mantida em clausura dentro de um cômodo no qual a única visita externa que recebe é a de um indivíduo que lhe abusa sexualmente de maneira corriqueira. Este fato se dá durante a adolescência da personagem, gerando um filho que permanece no mesmo ambiente. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada pela obra pode ser relacionada às práticas vistas no cotidiano, sobretudo no que tange centralmente a gravidez na adolescência e mecanismos governamentais que contribuam para a redação desses casos. O cenário atual vincula-se com a precariedade a qual o assunto é discutido em âmbito familiar e a desinformação no que se refere ao uso d métodos contraceptivos de prevenção.
Em primeiro lugar, é importante destacar que, em função das relações interpessoais intensificadas pelo processo de globalização, os jovens, por sua facilidade e domínio tecnológico encontram-se cada vez mais expostos à situações e meios que possam gerar encontros casuais e práticas sexuais por conseguinte. Chats, aplicativos de encontros, redes virtuais de relacionamento exemplificam tais mecanismos facilitadores. Neste sentido, Nelson Mandela ao relatar encontrar-se na educação a ferramenta mais poderosa para salvar o mundo, é consonante a Gilberto Freyre ao categorizar que se não utilizada como fator social, a educação é a maior das futilidades. Assim, o início cada vez mais rápido do sexo na adolescência, respalda-se na educação como ação efetiva.
Outrossim, Isaiah Berlin salienta que o princípio fundamental da liberdade é a liberdade de grilhões. Tal analogia pode ser dedicada a ruptura dos paradigmas ainda permanentes em ambiente familiar que dificulta a comunicação e orientação entre pais e filhos no que tange a informação, o apoio e a desmistificação de diálogos referidos a sexualidade. A intensificação do processo de comunicação familiar promove a queda de índices alarmantes de gravidez na adolescência, principalmente em regiões de maiores incidências como na região Norte (23%) e Nordeste (21%). Contudo, a desestruturação da dinâmica familiar pode suscitar a progressão do problema.
Portanto, é imprescindível que o Estado tome providências para amenizar a situação atual. Para a conscientização da população a respeito da ocorrência, urge que o Ministério da Saúde intensifique programas de conscientização familiar por meio de palestras, fóruns e canais direcionados a comunidade; reforçando os meios contraceptivos, os ônus ocasionados pela gravidez na adolescência e a prevenção de agentes que desencadeiam novos casos, como encontros casuais; objetivando o envolvimento familiar e o esclarecimento conjunto. Somente assim, será possível combater o desenvolvimento da problemática e, ademais, romper com cenários que conduzem “O quarto de Jack”.