Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 06/09/2019

No filme “Juno”, do diretor Jason Reitman, uma jovem engravida do amigo, todavia, descarta a opção de abortar e procura um casal que possa adotar o bebê, pois não tem condições de criá-lo. Contudo, a gravidez precoce não está restrita apenas à ficção, sendo uma realidade de muitos países, presente, inclusive, no Brasil. Tal imbróglio, portanto, é oriundo da inoperância do Estado em relação ao tema, somado ao limite à educação sexual e a informações. Como resultado, a gravidez precoce se conserva, e as implicações decorrentes dela continuam ocorrendo.

A princípio, a falta de diálogo sobre sexo e sexualidade, atrelada a um sistema patriarcal são entraves para o problema. Segundo o médico Dráuzio Varella, uma universitária tem uma média de 1,1 filho, enquanto uma mulher com menos de 4 anos de estudos possui uma média de 4,4 filhos. A partir desse pressuposto, percebe-se a ineficiência do Estado em prover educação sexual, especialmente nas camadas sociais mais pobres, que coopera com a ocorrência de gravidez na adolescência nessas comunidades. Não obstante, a sacralização da virgindade feminina, imposta pelo cristianismo e pela manutenção do patriarcado, facilita a falta de debates sobre o corpo feminino. Com isso, tem-se um menor conhecimento sobre o corpo, o que gera em uma menor tentativa de evitar gravidez.

Em consequência de tais fatores, a gravidez precoce se torna frequente e contribui para a evasão escolar das mães. Dessa maneira, dados da Fundação Abrinq mostram que, quase 30% das mães de até 19 anos não concluíram o ensino médio. Os dados ainda evidenciam que, a principal causa dessa evasão está relacionada com a entrada dessas jovens no mercado de trabalho, a fim de conseguirem suprir as necessidades de seus filhos. Para além, essas adolescentes ainda sofrem isolamento social, uma vez que possuem dificuldades de se inserir no âmbito profissional, principalmente, por terem filhos, pela falta de escolaridade e por não possuírem experiência.

Urge, portanto, a implementação de ações governamentais eficientes, com o intuito de reduzir os índices de gravidez na adolescência no Brasil. Dessa maneira, é imprescindível que o Ministério da Educação instaure a disciplina de educação sexual, por meio de uma reforma na Lei de Diretrizes e Bases, em escolas públicas e privadas, a partir do 4° ano do ensino fundamental, mediante conteúdos didáticos, condizentes com cada faixa etária, sobre métodos contraceptivos, somados ao conhecimento do corpo humano, com o objetivo de preparar, adequadamente, a vida sexual dos jovens. Ademais, o Ministério da Saúde deve promover campanhas informativas, especialmente em redes socais, para atrair os pubescentes e induzi-los a uma mudança de comportamento. Com tais medidas aplicadas, haverá a diminuição de adolescentes como Juno na sociedade Brasileira.