Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 12/09/2019
No filme norte-americano ‘‘Juno", a protagonista de mesmo nome é uma jovem de 16 anos que, acidentalmente, engravidou de seu amigo. Após descartar a opção de realizar um aborto, passou a procurar em jornais algum casal que pudesse cuidar da criança, já que ela não tinha condições para isso. Fora da ficção, no Brasil, situação de insegurança acontece com mães adolescentes, o que pode causar vários problemas a elas, como evasão escolar e a depressão. Nesse sentido, o Estado deve atuar em função de reduzir o número de gestantes precoce no país por meio do fim da sacralização da virgindade feminina imposta no passado e do fornecimento da educação sexual plena aos jovens.
Decerto, o fato de que o Brasil foi colonizado por católicos influencia no alto índice de gravidez na adolescência. Isso se deve ao fato de que a maioria dos europeus que vieram para habitar a ‘’nação verde-amarela’’ era cristã e possuía o dever de difundir o pensamento católico aos nativos. Nesse sentido, essa religião tem, como um dos seus fundamentos, o sexo apenas depois do matrimônio, o que sacraliza a virgindade e, com adição de um sistema patriarcal, a feminina ainda mais ‘‘santificada’’. Assim, formas de prevenção da gravidez e a sexualidade são assuntos pouco abordados entre os adolescentes, principalmente entre as mulheres. Todavia, desde a primeira constituição brasileira, outorgada em 1824, o Estado é considerado laico, ou seja, as crenças não podem influenciar no bem-estar social, competindo ao governo adotar medidas para desenraizar esse dogma.
Ademais, nas escolas, onde sexo e sexualidade deveriam ser amplamente abordados, há uma carência de transmissão de como prevenir a gravidez. Isso está condicionado ao fato de que o governo obriga, pela grade curricular, que esse assunto seja debatido apenas nas aulas de Biologia e só em algum período do Ensino Médio, o que é pouco, pois não há a análise das questões sociais e políticas, por exemplo, que a gravidez tem como consequência. Nesse sentido, muitas meninas tornam-se mães antes da conclusão do Ensino Regular e por não terem outras opções, muitas vezes, abandonam o colégio e vão trabalhar, sendo vítimas de preconceito por parte da comunidade, que acredita que o futuro dessas mulheres já está taxado como fracassado.
Diante do exposto, a fim de diminuir o número de adolescentes grávidas, o Ministério da Educação, em parceria com o da Saúde, deve promover a temática da sexualidade desde o Ensino Fundamental para os estudantes.Isso pode ser feito por meio de aulas, inicialmente, de ciências e geografia- mostrando o viés social- e no Ensino Médio, essa discussão deve ser mais aprofundada nas aulas de Biologia e Sociologia. Dessa maneira, se isso for concretizado,situações como a de Juno não serão uma realidade na vida dos jovens brasileiros com tanta frequência.