Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 06/09/2019

Clairecce Jonas, protagonista do filme Preciosa, não sabe ler nem escrever e está grávida do segundo filho aos 16 anos. Entretanto, quando se observa o revés da falta de ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência, é verificado que a ficção não está muito distante da realidade e a problemática persiste no país. Nesse contexto, percebe-se um grave problemas de contornos específicos o qual ocorre devido não só a carência de diálogo, mas também pela questão socioeconômica.

Primeiramente, convém ressaltar, de que forma a falta de comunicação afetam os jovens. Segundo o filósofo Michael Foucault, alguns assuntos são silenciados com objetivos pré determinados. Nesse âmbito, a falta de diálogo sobre sexualidade, como conversar e instruir os adolescentes sobre cuidados que se deve ter nas durante as práticas sexuais, para se prevenir contra uma possível gravidez, muitas vezes por parte dos familiares, não acontece, uma vez que os pais não se sentem que é responsabilidades deles e também na tentativa de reprimir a prática, prevista por Foucault. Dessa forma, a responsabilidade no ambiente familiar, leva a desinformação, corroborando para a gravidez precoce.

Outrossim, evidencia-se a questão socioeconômica como impulsionador para o problema. Consoante o filósofo Rousseau, o homem é produto do meio em que vive. Nessa perspectiva, em um ambiente com indivíduos com baixa escolaridade e informação, consolida para o aumento de incidência de gestação entre as jovens, visto que estas não tem acesso aos recursos para se prevenirem, como atendimento nas comunidades, agilidade nas marcações de consultas, contraceptivos alternativos, entre outros. Logo, uma mudança nesse cenário é imprescindível para ultrapassar as barreiras que regem essa problemática. Mediante o exposto, fica claro que medidas são necessárias para resolver esse impasse.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação incluir nas grades curriculares disciplinas voltadas a saúde sexual, que contarão com a participação dos pais e do corpo social, por meio de palestras, com intuito de promover o acesso ao conhecimento, e consecutivamente, conscientizar os jovens a se prevenirem. Ademais, incumbe ao Ministério da Saúde junto ao Ministério da Educação, por meio de repasses de verbas para a compra de anticonceptivos alternativos, que serão distribuídos nos postos públicos, a fim de que os adolescentes tenham mais facilidade ao acesso a estes medicamentos. Assim, a taxa de gravidez na adolescência será atenuada, e casos como a de Clairecce serão evitados.