Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 23/09/2019

Na contemporaneidade, um dos maiores problemas enfrentados no Brasil é a gravidez na adolescência. Desde os tempos da colonização portuguesa, há uma mentalidade patriarcal que exalta uma suposta “pureza” da mulher virgem. Dessa forma, construiu-se um tabu envolta deste assunto; assim, criou-se uma resistência à discussão do tema, o que corrobora a ignorância da população, e, aliado a isso, o Estado tem falhado em tomar medidas efetivas. Por isso, deve-se analisar os aspectos que coadunam e formam esse entrave.

Primeiramente, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um quinto dos bebês são de mães na faixa etária de 15 a 19 anos. Embora haja bastantes métodos contraceptivos na atualidade, a taxa de gravidez continua alta; isso porque os indivíduos não se sentem à vontade para discutir acerca do assunto com os familiares ou com um profissional da área de saúde devido ao tabu. Nesse contexto, o cidadão precisa romper a barreira da coercitividade exercida pela sociedade em torno da problemática e dialogar, o que aconteceria se houvesse uma educação que focasse não só nos aspectos biológicos da questão, mas também sociológicos e psicológicos.

Outrossim, segundo os filósofos contratualistas, é dever do Estado garantir o bem-estar civil. Todavia, o grande número de gravidezes na adolescência expõe a ineficácia da atuação governamental, haja vista que tal mazela deve ser combatida por meio educação, ao mesmo tempo que o acesso a métodos contraceptivos precisa ser facilitado às classes mais desfavorecidas, pois são as que mais sofrem com esse problema e suas consequências, o que condena os menos abastados a um ciclo de pobreza, e esta por si só traz consigo outros impasses. Assim, nota-se as discrepâncias entre aquele que tem dinheiro e quem não tem.

Depreende-se deste texto, portanto, a necessidade da intervenção do Estado com ações governamentais. Desse modo, o Ministério da Educação deve implementar aulas extra-curriculares com a temática gravidez na adolescência, e, por meio da discussão, desenvolver no aluno uma criticidade em relação à temática. Ademais, é imperioso que o Ministério da Saúde faça campanhas midiáticas, com apoio de depoimentos de mulheres que foram mães jovens, a fim de salientar as causas e consequências de uma gravidez precoce. Só assim, o Brasil vencerá esse obstáculo.