Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 12/09/2019
É de James Baldwin, escritor americano negro e homossexual, o aforismo: “Nem tudo o que enfrentamos pode ser mudado, mas nada pode ser mudado enquanto não for enfrentado”. Nessa perspectiva, nota-se, no Brasil, que o elevado índices de gravidez na adolescência é um fenômeno social que precisa ser enfrentado. Faz-se necessário, portanto, discutir sobre as causas e os efeitos da gravidez precoce não somente na vida da gestante, mas também para o corpo social.
Convém ressaltar, mormente, que a falta de uma educação sexual nas escolas é fator significativo para a causa de uma gravidez indesejada. Segundo o filósofo alemão, Immanuel Kant, “o homem é tudo aquilo que a educação faz dele”. No entanto, infere-se que a discussão sobre sexo e métodos contraceptivos ainda é um tabu na sociedade, sobretudo nos pequenos municípios e, dessa forma, as famílias raramente conversam abertamente sobre o assunto com as crianças e adolescentes. Diante disso, as escolas possuem um papel importante na educação sexual dos indivíduos e, assim, na prevenção da gravidez na adolescência.
Em segundo plano, é preciso analisar os impactos negativos da gravidez precoce para a vida da adolescente e a repercussão deles na sociedade. Haja vista que a evasão escolar é comum na maioria dos casos e as dificuldades de ingressar no mercado de trabalho futuramente são presente na vida de muitas dessas mulheres. O documentário, realizado em 2017 pela Profissão repórter, retrata esse cenário através de entrevistas com mulheres que se tornaram mães na faixa etária de 10 a 19 anos, e que abandonaram a escola e a perspectiva de um futuro por causa da gestação. Nesse sentido, é inegável que isso potencializa, a longo prazo, as desigualdades sociais no país e também prejudica o aumento da expectativa de vida de diversas famílias.
Destarte, urge que medidas sejam tomadas com vistas a reduzir a gravidez na adolescência no Brasil. Para tanto, é imperativo a participação do Ministério da Educação, da Saúde e do aporto financeiro da União. Essas instituições devem desenvolver, nas escolas públicas e privadas de todas as capitais e pequenos municípios, um ensino periódico sobre saúde sexual e reprodutiva, ministradas por especialistas na área da saúde, que abordem as maneiras de usar os métodos contraceptivos para os dois gêneros. É necessário que a linguagem seja clara e quebre os tabus sobre o assunto a fim de deixar os adolescentes confortáveis para tirarem dúvidas. Espera-se, com efeito, que a promoção da educação sexual nas escolas seja a política governamental mais eficiente para o enfrentamento deste fenômeno social brasileiro.