Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 08/09/2019

A canção “Meu Guri”, do célebre compositor Chico Buarque de Holanda, apresenta um eu-lírico materno e inexperiente que relata trechos da vida de seu filho, jovem fruto de um parto não desejado na periferia, que envereda para o mundo do crime como saída de sua posição desvalorizada. Para além da dramaticidade poética, casos assim descortinam uma realidade constante na sociedade atual: a gravidez na adolescência, suscitando discussões acerca dos seus impactos e desdobramentos. Nesse sentido, torna-se vital adotar a postura de combate a essa ocorrência a partir do viés humano e social.

No que concerne ao primeiro ponto, é relevante salientar que a gravidez na adolescência é um fenômeno incongruente com o bem-estar individual, na medida de revela atitudes inconsequentes e danosas. Para elucidar esse ponto, o humanista Thomas Morus retratou uma sociedade idealizada em sua obra “A Utopia”, na qual, segundo ele, os homens prudentes preveniam-se dos males, evitando as dores antes de recorrerem aos alívios. A partir disso, observa-se que os episódios da gravidez na adolescência vão de encontro ao comportamento prudente, uma vez que revela das despreocupação com as consequências futuras as quais levarão à busca pelo alívio imediato. Assim, a concepção prematura prejudicará tanto a família despreparada, quanto, principalmente, à criança mal instruída.

Já em relação ao segundo ponto, é coerente raciocinar que a gravidez prematura estáligada a fatores como desigualdade social e acesso a educação, visto que demonstra ausência do pensamento sistêmico. No tocante a isso, o psicólogo americano Daniel Goleman, em “O Foco Triplo” define pensamento sistêmico como o alinhamento de dos pensamentos capazes de solucionar  e prevenir problemas inerente a vivência social, de modo a tomar “decisões acertadas”. Posto isso, infere-se que a falta de preparação sistemática no sistema educacional relaciona-se com o surgimento de problemas como  a gravidez na adolescência, uma vez que impede a tomada das decisões acertadas. Isso é comprovado em pesquisa do G1 a qual revela que a maior incidência da gravidez na adolescência está na periferia, ou seja, áreas de vulnerabilidade com menor preferência das políticas públicas.

Defronte ao apresentado, é válida uma reflexão acerca de medidas capazes de mitigar os casos de gravidez na adolescência. A respeito disso, o Governo Estadual, em parceria com as prefeituras, por serem esses os órgãos responsáveis por garantir o bem-estar em escala regional e local, devem criar projetos de educação sistêmica voltada para o planejamento familiar, sobretudo em comunidades carentes e vulneráveis. Isso pode ser feito por intermédio da escola inserindo palestras com especialistas e modificando a rotina para abarcar temas como educação sexual e formação ética. Tudo com o objetivo de salvaguardar os pais jovens e as crianças dos males oriundos da gravidez prematura.