Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 08/09/2019

O livro ‘‘Ensaio sobre a cegueira’’, de José Saramago, aborda acerca de uma sociedade afetada por uma cegueira moral que tem proporcionado a falta de noção crítica e percepção dos problemas sociais. Atualmente, da mesma forma, adversidades sociais como a gravidez na adolescência são negligenciadas e, portanto, tratadas com desdém. Isso se dá, pois, a sexualidade ainda é primitivamente tratada como um tabu o que impede o conhecimento social e biológico do fato. Sendo assim, milhares de crianças-adolescentes engravidam e se tornam vítimas de um sistema despreparado e despreocupado para com a problemática.

Inicialmente, é importante ressaltar que por décadas a sexualidade foi culturalmente construída com base em uma doutrinação cristã. Dessa forma, as relações sexuais foram ideologicamente retratadas como ‘‘pecados do corpo’’ o que instituiu um tabu acerca da questão. Hoje em dia, como reflexo da primitiva ideologia cristã, as famílias, imersas na cegueira relatada por Saramago, não tratam a sexualidade como algo natural e biológico do ser, mas sim como um tabu que negligencia a problemática da gravidez. Desse modo, crianças e adolescentes iniciam sua vida sexual sem orientação prévia o que converge para o crescente número de adolescentes grávidas.

Sequencialmente, outro fator importante diz respeito a ausência de uma estrutura social que permita que adolescentes grávidas tenham uma educação de qualidade e, consequentemente, uma profissão futura. Isso, pois muitas mulheres precisam interromper seus estudos, em virtude da gravidez, o que futuramente irá desencadear uma dependência financeira de seus maridos podendo, inclusive, convergir para situações de submissão e abuso marital. Ademais, diante de uma sociedade patriarcal e, portanto, machista, a responsabilidade de abdicar de sua própria rotina em prol da criação dos filhos foi culturalmente atribuída à mulher o que negligencia o papel do homem como também responsável pela criação dos filhos.

Portanto, é imprescindível que medidas sejam tomadas para que a gravidez na adolescência não se torne um paradigma. Para isso é necessário que o Governo Federal, em conjunto com o Ministério da Educação, implante, no âmbito escolar, por meio de palestras mensais que agreguem pais, alunos e corpo escolar, uma discussão sobre a sexualidade para que se entenda a naturalidade de tal fato de modo a desconstruir tabus e orientar previamente os adolescentes acerca da vida sexual e suas consequências. Dessa forma, os ‘‘cegos’’ de Saramago poderão voltar a enxergar e, consequentemente, adolescentes não mais serão vítimas de tabus e descaso social.