Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 24/09/2019

No drama “Preciosa”, a protagonista, negligenciada pela mãe, precisou desistir de seus sonhos e viver em situação de precariedade após engravidar com apenas 16 anos. Fora da ficção, a realidade não está distante, visto que a gravidez na adolescência, infelizmente, é uma realidade recorrente no Brasil, decorrente das lacunas instrucionais familiares e essas podem gerar graves consequências no futuro dessas jovens.

A princípio, a desinformação dos jovens, proveniente da brecha educacional dos pais, é um fator contribuinte para o elevado índice de gravidez na adolescência. Consoante ao que diz o filósofo Mario Sergio Cortela: " É preciso educar não somente os filhos, mas também os pais". Nesse contexto, se faz necessária, primeiramente, a educação dos pais acerca da importância do diálogo em casa com os filhos, a fim de romper com a errônea ideia que a educação sexual é um “sinal verde” para a iniciação sexual dos filhos.

Ademais, a gravidez precoce entre as jovens pode gerar impactos psicossociais catastróficos. Nesse diapasão, esse cenário cria obstáculos psíquicos que as prejudicam para vida toda, de modo em que a maioria possui entre 12 e 17 anos e por isso não possuem a maturidade necessária para ser mãe, de acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde. Além disso, 76% das adolescentes que engravidam abandonam a escola, aumentando suas chance de caírem na pobreza, segundo o IPEA.

Em suma, urge a extrema necessidade de alterações estruturais para mitigar as altas taxas de gravidez na adolescência no Brasil. Portanto, é imprescindível o papel do Ministério da Saúde, principal competência que rege os investimentos nesse setor, na expansão da cobertura informacional acerca dessa problemática, por meio de campanhas em locais públicos e de fácil acesso, a fim de instruir os pais e jovens sobre a importância de métodos contraceptivos e seu uso de forma correta, para que mais “preciosas” não precisem abdicar de seus sonhos.