Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 20/09/2019
As pesquisas apontam que 16% dos nascimentos no Brasil são de mães jovens com idades entre 15 e 19 anos, a maioria pobres e de pouca escolaridade. Os números evidenciam a ineficácia das ações governamentais no combate da gravidez na adolescência. As razões são a baixa qualidade da educação e o obscurantismo crônico nos assuntos relativos a sexo ou sexualidade.
Na realidade atual em que a mulher busca se afirmar como protagonista na sociedade, inclusive escolhendo o melhor momento para a concepção, não é arriscado afirmar que quase a totalidade dos casos de gravidez na adolescência são indesejáveis e sobretudo inoportunos. Além do drama particular de cada caso, é inegável que em termos coletivos, a gravidez na adolescência é um problema social que se desdobra em outros muito mais graves, tais como: discriminação, abortos clandestinos, feminicídios, infanticídios, suicídios, preconceitos, ausência de paternidade nos registros civis por exemplo.
Um outro lado pernicioso da questão é o seu potencial de replicação, geração após geração, que contribui para o determinismo a que estão submetidas as classes menos favorecidas. Estabelece portanto um ciclo vicioso visto a ressonância entre causas e consequências, especialmente naquele segmento da sociedade. Essa dinâmica demanda uma forte presença do Estado que, por ser a razão primordial da sua existência, deve garantir oportunidades iguais a todos independentemente de origens.
Sendo assim, como para todo fenômeno ligado a comportamento ou costumes, o diálogo é a ferramenta mais eficaz para a redução dos casos de gravidez na adolescência. Nesse sentido o Estado, através do Ministério da Mulher, da Família e dos Diretos Humanos deve promover o debate com focos na organização da família e na sexualidade responsável, com orientações gerais pela mídia, mais detalhadas nas associações de bairros (por exemplo) e diretas e francas para o público alvo nas escolas. Enquanto sexo for assunto proibido, a ignorância seguirá se reproduzindo.