Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 10/09/2019
De acordo com uma pesquisa realizada pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil (DATASUS), uma a cada cinco crianças que nascem no Brasil é filha de uma adolescente. Sob esse aspecto, é de grande importância conscientizar e trazer à tona a necessidade de combater a gravidez na adolescência, pois, apesar de haver um fluxo de informações na sociedade, ainda faltam habilidades para tratar sobre o tema em questão corretamente.
Observa-se, em primeira instância, que os meios de comunicação são responsáveis por grande parte das informações recebidas pelos jovens, que não têm o discernimento necessário para saber se são corretas, distorcidas ou incompletas. Enquanto os pais se calam por não ter um relacionamento aberto com os filhos e a escola ainda trata o sexo como um tabu, a mídia vende o sexo como mercadoria de consumo, encontrando ávidos fregueses entre os adolescentes. Segundo a pesquisadora Anita Chandra, os adolescentes recebem uma quantia considerável de informações sobre sexo por meio da TV e a programação geralmente não destaca os riscos e responsabilidades do ato. Dessa forma, é imprescindível que meios de orientar os jovens corretamente sejam criados.
Deve-se abordar, ainda, que a gravidez precoce oferece risco tanto para a mãe, quanto para o bebê. Sabe-se que as adolescentes, entre 11 e 15 anos, ainda não têm maturidade do sistema reprodutor, pois ele ainda não foi totalmente desenvolvido. Em razão disso, os riscos de ocorrer aborto espontâneo, parto prematuro ou hipertensão arterial são maiores, como afirma a obstetra e coordenadora da maternidade de Alto Risco, Rosângela Maldonado. Além disso, o fato de as jovens não conseguirem contar para a família sobre a gravidez acaba atrasando o pré-natal e correndo o risco de não saber se o bebê terá algum problema, visto que, conforme a Dra. Evelyn Eisenstein, 20% da mortalidade infantil no Brasil, decorrem de óbito precoce de bebês nascidos de mães entre 15 e 19 anos.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, promover ações educativas, como oficinas e palestras nas escolas, ministradas por profissionais da saúde, voltadas para alunos, famílias e professores, com o objetivo de ampliar o diálogo entre pais, filhos e escola, desmistificando o tabu do sexo. Ademais, a mídia, como principal influenciadora, deve investir na realização de campanhas educativas e abrir espaço para a promoção de debates sobre sexualidade e uso de contraceptivos, com a criação de quadros nos principais programas de TV, por exemplo, ministradas por obstetras e ginecologistas, para que, assim, os jovens sejam devidamente informados e o índice de gravidez precoce diminua.