Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 10/09/2019

No período Pré-Colonial, órfãs portuguesas eram enviadas ao Brasil para se casarem com os colonos portugueses e terem filhos “brancos e cristãos” para diminuir a mestiçagem. Nesse sentido, é notório que a gravidez na adolescência é um fato histórico-social complexo que deve ser, portanto, analisado para chegar a caminhos que atenuem o problema.

De início, cabe pontuar que uma das principais causas da gestação na fase juvenil é a falta de educação sexual. Nesse prisma, a série " Sex Education" da Netflix destaca a vida dos adolescentes no quesito sexual e mostra o drama da personagem Maeve ao ficar grávida sendo menor de idade, de baixa renda e abandonada pelos pais e irmão. Fora da ficção, muitas meninas se encontram na mesma situação que Maeve, fato este que pode ser explicado pelas influências midiáticas somadas a insuficiência do corpo docente escolar no que diz respeito à exploração das consequências dos atos resultando no desenvolvimento precoce de atividades sexuais e sem proteção.

Sob outra perspectiva, a falta de apoio financeiro e emocional torna a gravidez da adolescência um problema de saúde. Nessa esfera, John Stuart Mill afirma que “sobre seu próprio corpo e mente, o indivíduo é soberano”. Sendo assim, as jovens que optam por continuar a gravidez podem, por falta de auxílio e preconceito das pessoas próximas e por fatores biológicos, desenvolver depressão, ter parto prematuro e, além disso, o bebê pode apresentar alguma deficiência. Por outro lado, em casos de violência ou razões financeiras e emotivas, as meninas escolhem interromper a gestação e, ao procurar métodos sem segurança ou clínicas clandestinas, colocam sua própria vida em risco.

Destarte, são necessárias ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência. Cabe, assim, ao Ministério da Educação promover o debate sobre a atividade sexual precoce e suas consequências como a gravidez indesejada e DST’s através da implementação de palestras sobre o assunto nas escolas pública e privadas. E, ainda, importa à Secretaria Nacional da Juventude fornecer assistência financeira e emocional tanto as jovens que escolherem continuar a gravidez quanto para aquelas que desejarem interromper e isso pode ser feito por meio de programas sociais que estimulem pais e amigos a aceitarem a escolha da pessoa e ajudarem esta no que for necessário. Tais medidas mitigarão a gravidez na adolescência e permitirão o desenvolvimento saudável e pleno das jovens brasileiras.