Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 18/10/2019

Claireece “Preciosa” Jones, jovem de 16 anos personagem do filme “Preciosa - Uma história de esperança”, inserida em um ambiente familiar na qual é violentada pelo pai desde pequena, é levada a  viver as implicações de duas gravidezes precoces. De maneira análoga, quando se observa os elevados índices de gravidez na adolescência, percebe-se a proximidade desse ideário da realidade brasileira. Nesse sentido, nota-se a questão cultural e a fragilidade da relação familiar como principais premissas à problemática.

Convém analisar, a princípio, as frágeis relações familiares como forte influência na taxa de gravidezes precoces. Nesse contexto de terceira revolução industrial, onde a velocidade e produtividade são super valorizadas, admite-se as ideias da modernidade líquida do sociólogo Zigmunt Bauman, na qual as relações interpessoais se tornam progressivamente mais frágeis. Nesse sentido, os pais, em sua maioria, perdem o hábito da conversa e constroem barreiras entre seus filhos, não dando-lhes a liberdade do diálogo sobre assuntos que envolvem a sexualidade. Em consequência, tais jovens buscam informações em fontes questionáveis, as quais não estimulam a proteção necessária nas atividades sexuais, como os métodos contraceptivos. Resultando em consequências permanentes, como a maternidade precoce e suas implicações que vão desde abandono da vida estudantil à formação desses novos indivíduos.

Outrossim, cabe relacionar a pesquisa da Durex Network com o dado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE). A primeira foi realizada entre 26 países e apontou o Brasil como segundo país onde a vida sexual dos adolescente é mais precocemente iniciada e o segundo afirma a nação como a possuinte de maior média mundial de filhos com mães adolescentes. Concerne perceber, dessa forma, a problemática sendo de influência histórica cultural. Em vista disso, usa-se o teoria de Habitus de Pierre Bourdieu, na qual, os jovens, inseridos em um contexto de tímida educação sexual, por muito conviverem com casos maternidade precoce, devido a negligencia do uso de contraceptivos, tendem a adotar como condição sensata  e então reproduzi-la e perpetua-la.

Torna-se evidente, portanto, os entraves referentes a gravidez na adolescência. Logo, compete ao Ministério da educação, em parceria com a mídia educativa a introdução de aulas explicativas, mesa de debates e distribuição de cartilhas que visem uma educação sexual, a fim de educar e conscientizar sobre os perigos da pratica inconsequente, informando desde os riscos de doenças à os impasses de uma gravidez precoce. Ademais, cabe a família a realização de maiores debates no intuito de melhor instruir os adolescentes sobre essa nova fase.