Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 23/09/2019

O filme infantil Juno retrata a história de uma adolescente que engravida, mas que, felizmente, recebe a ajuda e apoio de amigos e familiares para lidar com a situação. Lamentavelmente, cenários como esse estão restritos a ficção no Brasil, pois o sexo, principalmente na juventude, ainda é um tabu e as meninas sofrem com culturas machistas e pedófilas.

A relação que a sociedade brasileira tem com o sexo é contraditória: todos os anos o país para por dias para celebrar o Carnaval, linda festa popular, porém que hipersexualiza mulheres e camufla altas taxas  de assédio, enquanto, ao mesmo tempo, milita contra a educação sexual nas escolas. Os efeitos da inexistência dessa na maior parte dos colégios podem ser percebidos através do alto índice de gravidez na adolescência, 1 a cada 5 bebês nascidos no Brasil. Ou seja, promove-se uma cultura que festeja o calor humano dos trópicos, mas ignora-se e até se tenta desacreditar que jovens fazem sexo, muitas vezes, sem ter noção do que estão fazendo e das consequências.

Além disso, a maternidade entre os 15 e 19 anos é, em grande parte das vezes, fruto de relações de poder e de violência. O relacionamento começa com a paixão, geralmente de uma menina por um rapaz adulto, que a manipula até que ele consiga ter relações sexuais com ela, muitas vezes, sem proteção, pois ele alega sentir mais prazer assim. Então ela engravida, ele a abandona e a garota sofre a vinda de um filho. Infelizmente, essa história é muito recorrente e pode ficar pior, pois, provavelmente, a comunidade dessa jovem a culpará por esse erro ao qual ela foi induzida e liberará o homem de sua responsabilidade. Essa cultura machista e pedófila estabelecida no Brasil impede que a gravidez na adolescência seja reduzida, pois mantém padrões de comportamento que antecedem o ato sexual.

A gestação precoce é, portanto, resultado de vários costumes agressivos presentes no Brasil. Logo, para reduzi-la, são necessárias ações governamentais, como a promoção de educação sexual nas escolas públicas, a começar por sua desmistificação para pais e responsáveis, através de rodas de conversa entre eles e profissionais de ensino, para que se mostre que ela não perverte as crianças, mas ensina o autoconhecimento e a proteção. Ainda, é importante que a assistência social crie redes de proteção contra a pedofilia nas associações comunitárias, em que o bairro todo será separado em faixas etárias e serão promovidas atividades que mostrem não só estatísticas, mas que estimulem a  desconstrução de pensamentos que naturalizam a relação amorosa entre adultos e adolescentes, bem como ensinem a detectar e previnir esse tipo de crime. Dessa forma, a gravidez na adolescência será reduzida, uma vez que os fatores subjetivos que a possibilitam serão progressivamente extinguidos.