Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 12/09/2019

Na série “Sex Education”, original da plataforma “Netflix”, grande parte da trama aborda a iniciativa de um aluno em ajudar seus colegas de escola em assuntos concernentes à sexualidade. Fora da ficção, decorrente de todo tabu socialmente construído e das insuficientes ou ausentes aulas sobre educação sexual nas escolas brasileiras, a gravidez na adolescência persiste como um problema que atinge as mais distintas camadas sociais.

É válido, em primeiro plano, explicitar que o histórico e enraizado pudor atrelado a assuntos que cercam a temática sexual é um fator contribuinte para os persistentes altos índices de gravidez precoce. Isso porque, pelo fato de a juventude ser um estágio biológico de transformações e descobertas, são indispensáveis as instruções e os direcionamentos referentes à temática sexual. Todavia, no Brasil, substancial parcela das famílias delegam a outras instituições, como a escola, a total responsabilidade de instruir os jovens nesse aspecto, quando, na verdade, é preciso haver uma relação de contribuição conjunta entre esses dois setores da sociedade para com a juventude. Assim, se não há um eficiente direcionamento, sobretudo no âmbito familiar, não há, também, perspectivas de diminuição dos preocupantes índices de gravidez nesse segmento social. Tal afirmação apoia-se na obra “Totem e Tabu”, de Zigmund Freud, que condena os tabus que rodeiam a sexualidade e assegura que eles dificultam o progresso enquanto sociedade.

Convém pontuar, ainda, que o arcaico sistema educacional brasileiro contribui para a permanência desse problema. Isso porque, no Brasil, o currículo escolar preconiza a mecanização do pensar em detrimento do estímulo a uma capacidade reflexiva que traga aplicabilidade para as situações cotidianas. Assim, a escola, que deveria ser um ambiente de maior liberdade para falar sobre a gravidez precoce e sua série de implicações, permanece superestimando a “Educação Bancária”, defendida por Paulo Freire como sendo aquela que serve para o mero treinamento da formação de uma massa de trabalho.

Depreende-se, portanto, a indispensabilidade de medidas que atenuem essa problemática. Nesse sentido, o Ministério da Educação - ramo do poder Executivo -, deve inserir na Base Comum Curricular a obrigatoriedade do ensino sobre educação sexual dentro das aulas de sociologia, somada a palestras para pais e alunos e a transmissão de documentários como o “Menina mãe”, gravado pelo Globo Repórter, com o fito de despertar a proximidade dessa realidade e estimular o senso de responsabilidade diante dessa situação. Assim, decerto, jovens e suas famílias poderão reconhecer a urgência da temática e debatê-las mais amplamente, tal qual a série “Sex Education”.