Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 13/09/2019

“Eu, fitando a cena, repetia naquela noite lânguida e sentida: Ó flor! Tu és a virgem das campinas! Virgem, tu és a flor da minha vida!” O fragmento do poema de Castro Alves, poeta da Terceira Geração do Romantismo, corporifica o amor dando-lhe um toque de erotismo ao descrever seu desejo de estar junto com o ser amado. Tais características foram marcantes, com a abordagem da sexualidade em seus enredos. Contudo, na atualidade, a ausência de discussão e implementação de medidas interventivas eficazes sobre a temática no ambiente escolar e familiar, reverbera, sem desvios, em índices consideráveis de gravidez na adolescência. De fato, a sociedade subsiste em devaneios.

Ao principiar tal visão, é válido ressaltar que a inclusão do artigo no Estatuto da Criança e do Adolescente que propõe a semana nacional de prevenção a gravidez na adolescência, soa como medida preventiva. Todavia, a máxima de Pitágoras que sugere a educação das crianças para não ser necessário puni-los adultos é desprezada, visto que, os maiores índices de gestações não planejadas se encontram nas periferias, locais de escassas aplicações das práticas pedagógicas de educação sexual. De fato, a aristocracia torna-se um agente determinante que tonifica a mazela. Ora, o Estado que se afugenta corrobora para os descaminhos de sua juventude, eis o conhecimento às avessas.

Ademais, outro fator que corrobora com o impasse é a ausência de concepções e de formação por parte da sociedade. Como afirmou Sérgio Buarque, em sua obra Raízes do Brasil, os brasileiros estão acostumados a tratarem o Estado como um pai, deixando todas as questões político-sociais em suas mãos. Dessa forma, em consonância ao Estado, surge a exigência da participação dos pais, que por vezes, renunciam suas atribuições como instrutores no ambiente familiar. Tais condutas, quando associadas às práticas sexuais precoces acarretam, além da gestação indesejada e de problemas psicológicos, a contração de doenças sexualmente transmissíveis, eis o ludibriamento social.

Depreende-se, portanto, a necessidade de elaborações de medidas que resolvam a problemática da gravidez na adolescência. Para tal, o Ministério da Educação deverá investir em melhorias no acesso a escolas nas áreas periféricas, por meio de investimentos na infraestrutura e construção de escolas, a fim de democratizar a educação. Somado a isso, as escolas deverão implementar em seu plano pedagógico aulas interdisciplinares, com apresentação de palestras que envolvam a juventude e os pais em debates sobre o tema, objetivando a instrução sobre os métodos contraceptivos e os riscos contração de doenças sexualmente transmissíveis. Além disso, será necessário maior amparo as gestantes jovens, assim o Estado deverá implementar atendimento específicos para as gestantes, com a finalidade de evitar possíveis problemas psicológicos e exclusão social.