Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 23/09/2019
Preciosas brasileiras
Claireece Jones, jovem de 16 anos e personagem principal do filme Preciosa, vivencia as principais mazelas de uma gravidez na adolescência: a discriminação e a opressão da sociedade. Dessa forma, evidencia-se que a maternidade precoce apresenta desdobramentos que atingem esferas estatais, sociais e culturais. É necessário, portanto, que se combatam as causas que levam a essa situação e que se conscientize a população no sentido de priorizar o futuro destas meninas.
É válido considerar, antes de tudo, que as causas para a ocorrência desse fato social são potencializadas por raízes religiosas históricas. Visto que, o povo brasileiro – segundo pesquisas do IBGE – se configura como a maior nação católica do mundo. Desse modo, em uma população majoritariamente guiada por dogmas sobre o pecado e conteúdos considerados censurados, não é incomum encontrar famílias que se sente constrangidas para falar sobre relações sexuais com seus filhos. Somado a essa lacuna familiar, está a sexualização precoce do corpo feminino, - erotizado por músicas – e uma propaganda midiática ineficaz sobre métodos contraceptivos, que apenas induzem ao uso, mas que não investem em uma conscientização sobre seus efeitos. O que corrobora, de certa maneira, às teses foucaultianas de que certos conteúdos são omissos propositalmente.
Cabe apontar também, que a gravidez na adolescência se manifesta com maior incidência em um determinado perfil socioeconômico. Assim sendo, uma consequência perversa da incompetência do sistema educacional, que é incapaz de prover as jovens com maiores perspectivas de futuro. Ademais, essa formação de um ciclo vicioso de pobreza e falta de diálogo, são sequelas diretas de uma negligência estatal, que fere, desde cedo, a cidadania das adolescentes. Situação essa, totalmente contrária ao comparada com famílias de maior poder aquisitivo. Paradoxo também constatado por Dráuzio Varela, que em um de seus artigos no site UOL, ressalta a classe social, nível de escolaridade e região geográfica brasileira, como fatores contribuintes na formação de jovens mães.
Fica evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas para que se reduza a gravidez na adolescência, um problema de saúde pública e de impactos econômicos. Logo, o Ministério da Educação, aliado ao Conselho Tutelar, devem em curto prazo, promover campanhas escolares, na qual, por meio de palestras, serão auxiliadas aos pais, maneiras de manter um bom diálogo com seus filhos sobre a sexualização precoce. Além disso, a Mídia, por intermédio de novelas, alerte ao público os efeitos que uma gravidez na adolescência, bem como seus efeitos e consequências para a jovem e seu núcleo familiar. A fim de que, a ação conjunta desses órgãos, se tornem catalizadoras de mudanças sociais, quebrem este ciclo vicioso e potencializem o futuro das preciosas brasileiras.