Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 29/10/2019
Em a Preciosa, filme norte-americano, a protagonista é uma jovem de 16 anos que, acidentalmente, engravidou e vive os dilemas de ser mãe solo e adolescente em um cenário de extrema vulnerabilidade social e preconceitos. Fora da ficção, apesar da longa-metragem passar em um subúrbio de Nova York, existem diversas familiaridades com a realidade da gravidez precoce no Brasil. Nesse sentido, é perceptível que a maternidade na juventude é reflexo da ineficácia da educação sexual nas escolas e famílias, além do tabu social histórico presente no contexto nacional.
Em primeiro lugar, é importante destacar que conceitos que contrariam a normalidade majoritariamente conservadora é considerado errado, logo pouco discutido. Segundo o livro Totem e Tabu, do psicanalista Freud, tabu são conceitos que destoam do corriqueiro em que uma sociedade é pautada, ou seja, falar sobre sexo e sexualidade são assuntos distantes do usual e, portanto, errôneos. Logo, essa crendice permeia o período de colonização, uma vez que a religião cristã prega a virgindade como símbolo de pureza e salvação, assim o ideário de sexo após o casamento acarreta na omissão tanto do jovem quanto da família e escola na educação sexual. Então, o ruído existente no ensino da prevenção da maternidade indesejada acarreta na perpetuação do quadro.
Pode-se, também, apontar as consequências da ausência do diálogo quanto aos métodos contraceptivos. Constantemente, as genitoras precoce sofrem com preconceitos oriundos da própria família ou da sociedade, visto que carregam consigo os estigmas de serem mães adolescentes. Esse fator social juntamente com a responsabilidade sob o filho gera, majoritariamente, a evasão escolar, uma vez que conciliar a vida de mãe e de estudante é difícil e cheia de críticas. Destarte, é acentuado o quadro de pobreza, posto que é expressivo o número de meninas mães em situação de vulnerabilidade, pois, o acesso a educação sexual é limitado e o acesso aos meios contraceptivos são desconhecidos ou de difícil aquisição. Assim, elas deixam as escolas para cuidar dos bebês, futuramente ao retornar ao ambiente de estudo ou trabalho não estão aptas e qualificadas para continuarem, abdicando mais uma vez das oportunidades e perpetuando o ciclo da pobreza generalizada no país.
Urge, portanto, medidas que atenuem a maternidade juvenil. Logo, é necessário que o Ministério da Saúde em parceria com influencers digitais promovam uma campanha que visem divulgar as mazelas enfrentadas pela gravidez precoce, além da conscientização sobre os métodos contraceptivos. Por meio da elaboração do marketing voltado a esse público e transmitidos pelos principais ferramentas midiáticas - televisão, facebook e instagram - a fim de diminuir a incidência de casos no Brasil. Por fim, é necessário que a sociedade não compactue com esse tabu e faça parte da educação sexual do país.