Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 16/09/2019

O documentário “Meninas: gravidez na adolescência” do ano de 2005 narra o cotidiano de quatro jovens, Luana, Evellyn, Joice e Edilene, moradoras da periferia do Rio de Janeiro que enfrentaram as dificuldades e os impactos de uma gravidez precoce. Passado mais de uma década da publicação dessa obra, os problemas relacionados a maternidade de meninas menores de 18 anos continua a ser um desafio para sociedade brasileira. Dessa forma, faz-se necessário debate sobre as causas e as consequências desse impasse.

Inicialmente, é importante ressaltar que a falta de conhecimento sobre a sexualidade e os métodos contraceptivos contribuem para o aumento acentuado desses casos. Em consonância com os dados do Ministério da Saúde, o Brasil apresenta 400 mil casos de adolescentes grávidas anualmente, fato preocupante, pois a maioria das gestantes advém dos subúrbios, apresentado poucas condições econômicas para subsidiar as despesas familiares. Embora os meios preventivos sejam disponibilizados pela rede pública, existe situações nas quais esses suprimentos estão em falta, como no caso relato por Luana, participante do documentário.  Ademas, o corpo social contribui para que o assunto sexualidade continue como um tabu, evitando debates e a conscientização dos jovens.

Outrossim, é relevante considerar as repercussões decorrentes da gestação na vida dessas meninas, principalmente a evasão escolar. De acordo com a Associação Médica Brasileira, aproximadamente 85% dessas moças abandonam a escola a partir do terceiro trimestre gestacional. Isso ocorre devido às novas demandas impostas à inexperiente menina que se transformou mãe prematuramente, atarefadas com os planejamentos do parto e após com as necessidades do recém-nascido, elas param de frequentar as aulas. Logo, essa atitude tem impacto a longo prazo nas oportunidades de completar o ciclo educacional e se incorporar ao mercado de trabalho, como resultado encontram-se mais vulneráveis e expostas a reproduzir padrões de pobreza e exclusão social.

Em suma, com o intuito de reduzir as ocorrências de gestação precoce no país, cabe ao Ministério da Saúde informar os jovens sobre os seus riscos, consequências e como se prevenir, por meio de campanhas educativas nas escolas e centros comunitários, com equipes de saúde treinadas em cada município, preparando-os assim pra iniciar a vida sexual com segurança e evitando uma gravidez indesejada. Em acréscimo, esse órgão necessita aumentar o acesso aos métodos preventivos de qualidade, através de mais investimentos, permitindo o acesso irrestrito dos adolescente garantindo  sua proteção. Feito isso espera-se proporcionar um ambiente com mais oportunidades de escolhas, contrário ao enfrentado por Luana, Edilene, Joice e Evellyn.