Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 08/10/2019

O filme “Os Garotos da Minha Vida” dirigido por Penny Marshall, retrata a história de uma jovem de apenas quinze anos que vê seus sonhos interrompidos devido à uma gravidez indesejada. Este enredo, por sua vez, é similar ao que ocorre na realidade, pois a gravidez na adolescência além de prejudicar a vida futura do jovem, também é responsável por acarretar sofrimento psicológico, atinge a esfera socioeconômica e ainda coloca em risco a vida das adolescentes gestantes. Outrossim, urge a busca por medidas eficazes provindas de ações governamentais, visando reduzir o índice deste grave problema de saúde pública.

Conforme Oliveira e Campos, a gravidez na adolescência está relacionada, em grande parte, aos fatores socioeconômicos, como a baixa escolaridade, baixa renda e ao local em que reside esses jovens, dificultando assim o acesso e qualidade da assistência realizada pelos serviços de saúde. Da mesma maneira, torna-se recorrente a evasão escolar, comprometendo assim a entrada do adolescente no mercado de trabalho e causando, portanto, a contínua dependência financeira do jovem. Além disso, o psicológico é intensamente afetado, visto que a gestação na adolescência, muitas vezes, gera conflitos familiares, podendo implicar na aceitação do concepto pela própria mãe, podendo culminar à prática do aborto ilegal, expondo ao risco a sua vida.

No demais, mesmo havendo a distribuição gratuita de métodos contraceptivos nas Unidades de Saúde, a gravidez na adolescência ainda é um impasse persistente. Isto por sua vez, demonstra que os jovens ou não fazem uso desses métodos ou os utilizam de forma inadequada. Do mesmo modo, a ausência do diálogo familiar acerca de sexo e os devidos cuidados que devem ser tomados, provoca uma certa desorientação nos jovens, deixando-os à mercê do assunto. Destarte, os adolescentes ficam também intimidados em buscar informação com profissionais de saúde.

Diante do exposto, cabe ao Programa Saúde da Família em parceria às escolas, por meio de oficinas e palestras, orientar os jovens sobre o uso adequado dos métodos contraceptivos e alertar sobre os riscos da gravidez na adolescência, com o fito de que os jovens esclareçam suas possíveis dúvidas relacionadas à vida sexual. Conjuntamente, o Centro de Referência em Assistência Social deve propor a realização de cursos para a inserção destes adolescentes no mercado de trabalho, possibilitando que estes planejem e fomentem uma perspectiva de um futuro promissor. Equitativamente, é relevante a existência de palestras, promovidas também pelas escolas, voltadas aos pais e responsáveis, objetivando o diálogo aberto referente à sexualidade dentro do lar familiar. Logo, com a cooperação de todos, será possível amenizar os riscos da gravidez na adolescência.