Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 01/10/2019
No filme americano “A Preciosa” é retratado a vida de uma adolescente de classe social baixa que teve sua educação escolar interrompida e as dificuldades de seu desenvolvimento pessoal acentuados, devido a uma gravidez precoce aos 16 anos, causada por abuso sexual. Não distante da ficção, a gravidez em adolescentes no Brasil é uma realidade, visto que 20% das mulheres grávidas no país possuem entre 15 a 19 anos de idade - de acordo com o Instituto Brasileiro de Gestão e Estatística (IBGE). Dessa forma, é importante a análise dos possíveis fatores geram essa problemática, como a desigualdade social em consonância com a falta de educação sexual precoce.
Primeiramente, é importante destacar que a maior incidência de gravidez na adolescência é entre jovens de classe social baixa. Segundo o IBGE, as jovens mais afetadas por gravidez precoce são de família de baixa renda. Em alguns casos, jovens começam a trabalhar na adolescência para ajudar no sustento familiar e acabam precisando abandonar os estudos. Logo, sem as informações educacionais, muitos deles se tornam vítimas da própria ignorância e as consequências, como uma gravidez indesejada, podem se tornar realidade na vida desses adolescentes.
Além disso, a grade curricular brasileira não se adequou com a nova realidade do país. Apenas em 2019 o Ministério da Educação e Cultura iniciou um processo de modificação no sistema educacional, por causa da nova realidade social e do novo comportamento dos jovens contemporâneos. Porém, desde 2005, os altos índices de gravidez na adolescência já era considerável no país - segundo fontes do IBGE - e nenhuma mudança no ensino escolar, como uma orientação sexual precoce, foi considerada. Desse modo, sem uma mudança necessária na educação durante esse período, o país deixou de lutar contra esse problema pertinente, o que fez com que a incidência desse quadro continuasse acontecendo no país.
Portanto, ações governamentais são necessárias para evitar que novos jovens tenham sua adolescência e educação comprometida. Para diminuir a incidência da gravidez nos jovens, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) introduza a orientação sexual na faixa etária antes dos jovens atingirem a idade de maior ocorrência de gravidez, por meio da sua inclusão na grade curricular, a fim de educar esses adolescentes e informá-los sobre formas de prevenção de doenças sexuais e gravidez. Também é imprescindível que os governos foquem na qualidade de ensino em zonas periféricas, por meio de uma melhor distribuição do orçamento da educação, com a finalidade de proporcionar uma educação de qualidade aos jovens de baixa renda. Talvez assim o Brasil evite que histórias como a do filme “A Preciosa” continue acontecendo no país.