Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 18/09/2019

Em uma sociedade vetusta, casamentos precoces e, posteriormente, ter filhos abaixo da maioridade eram corriqueiros. Sob tal ótica, o livro “Cem anos de solidão” do escritor Gabriel Marques retrata a vida de Remedios, uma garota que se casou com Aurelino ainda muito jovem -poucos momentos após a primeira menstruação- e morre no início da união em virtude de uma gestação de risco. Fora do contexto histórico- literário, percebe-se que a gravidez na adolescência é uma problemática hodierna. Logo, entre os fatores que contribuem para solidificar este quadro destacam-se: o entrave cultural que coíbe a discussão sobre sexualidade bem como a consequente evasão escolar das jovens gestantes.

A priori, nota-se que em virtude de valores sociais comumente embasados na religiosidade -como o sexo antes do casamento ser pecado- a orientação sexual é um tabu. Nesse contexto, de acordo com o escritor brasileiro Rubem Alves, a educação pode representar asas e gaiolas, uma vez que ou auxilia na superação de limitações ou perpetua condições de exclusão. Desse modo, tendo como modelo uma aprendizagem básica e pautada nas implicações patológicas, ou seja, os desafios da sexualidade frente às DST’s, as consequências de uma gravidez indesejada nem sempre são esclarecidas. Por conseguinte, ao iniciar uma vida sexual sem aconselhamento o jovem é vítima da própria ignorância.

Sob outro ângulo, sem o respaldo familiar e governamental com frequência menores parturientes abandonam a vida escolar em prol da ciese. De maneira análoga a este cenário, o filme americano “Simplesmente Acontece” aborda a vida de Rosie, uma adolescente que tem sua rotina transformada após uma gestação não programada. Desse modo, a conciliação entre o estudo acadêmico e a maternidade torna-se inviável e a personagem abandona a graduação. Logo, a realidade se assemelha à ficção e, em virtude da negligência assistencial, ocorre a evasão escolar.

Dessarte, frente à provectos fatores histórico-sociais e ineficiências governamentais a gravidez precoce instala-se deixando sequelas físicas e acadêmicas nas vítimas. Portanto, o Ministério da Educação, como instância máxima dos aspectos educacionais, deve adotar estratégias midiáticas e acadêmicas no tocante à maternidade juvenil a fim de obter uma redução no número de prenhez adolescente. Essa ação pode ser feita por meio de simpósios e cartilhas educativas distribuídas aos pais e alunos que elucidem os métodos de prevenção e proteção sexual, além das consequências de uma gravidez na juventude. Ademais, é imperioso a instalação de creches e berçários próximos às escolas ou dentro da própria instituição para que as mães consigam conciliar os cuidados com o bebê e a atividade discente, tendo o acesso à educação efetivo. Talvez, assim, a educação seja como asas e as “Rosies” possam receber um respaldo público e conciliar sua realidade.