Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 18/09/2019

No documentário brasileiro Meninas de 2006 é retratada a realidade de quatro adolescentes periféricas que engravidaram precocemente. Nele percebe-se como a falta de diálogo entre pais e filhos na educação sexual e do acesso à preservativos nas áreas periféricas impactam diretamente nos altos índices de gestação antecipada e na perpetuação de um ciclo de pobreza e exclusão social. Logo, ações governamentais fazem-se mais do que necessárias na mudança da perspectiva de vida dessas e de várias outras jovens brasileiras.

Em primeiro lugar, a falta de educação sexual em casa cria um ambiente hostil para que o jovem possa tirar dúvidas e se prevenir corretamente. Isso ocorre, em grande parte, por um tabu das sociedades, que, segundo o filósofo francês Michel Foulcault, têm a questão da sexualidade como um tema silenciado. Por exemplo, no documentário produzido por Sandra Werneck em 2006, o pai de uma das jovens afirma que poderia ter prevenido a gravidez de sua filha se tivesse conversado com ela a respeito dessa temática. Assim, percebe-se a necessidade de capacitação dos pais para o aumento do diálogo de tabus em casa para que a sexualidade passe a ser um tema de livre discussão, culminando na diminuição dos índices de gravidez precoce, uma vez que as taxas de níveis de informação e de gravidez na adolescência são inversamente proporcionais.

Em segundo lugar, há um descaso governamental aos direitos sociais dos cidadãos de áreas periféricas e mais pobres, que, segundo o médico Drauzio Varella, possuem as maiores taxas de gravidez precoce. Por exemplo, no documentário Meninas, uma das jovens conta não ter relações sexuais com preservativos, pois estavam em falta há meses no núcleo de saúde de sua região. Dessa maneira, a população mais pobre se vê desamparada e com violações aos seus direitos de pleno acesso à saúde, o que culmina na perpetuação de um ciclo de pobreza e exclusão social, uma vez que a formação escolar e a entrada no mercado de trabalho qualificado dessas adolescentes será adiada ou inexistente.

Pelo exposto, urge a intervenção efetiva do Estado para prevenir a gravidez na adolescência e resguardar o futuro dos jovens. Para isso, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, deve disponibilizar cursos para pais de adolescentes entre catorze e dezenove anos com palestras e atividades lúdicas que ajudem-os a romper o tabu da educação sexual em casa. Além disso, o MS deve garantir o acesso à saúde nas regiões periféricas, por meio do aumento do número de preservativos disponíveis nos núcleos de saúde regionais, de forma a diminuir o número de gravidezes não planejadas e precoces e romper com o ciclo de pobreza e exclusão social imposto a esses jovens.