Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 12/10/2019
O documentário Meninas, dirigido por Sandra Werneck, relata a vida diária de algumas garotas durante o período de descoberta, gestação e nascimento de seus bebês. De um lado, a alegria estampada no rosto ao saber que serão mães. Do outro, o total despreparo. Esse é o paradoxo retratado no curta-metragem, em que a falta de uma base sobre educação sexual, acarreta a uma gestação precoce e a outros problemas.
Eventualmente, a falta de diálogo e de informações mostram que cada vez mais os jovens estão iniciando a vida sexual. Para a psiquiatra e professora da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), há a necessidade de um maior investimento na educação sexual e em campanhas para divulgar o sexo seguro. Com dados do “Mosaico Brasil”, feito pelo Prosex (Programa de Estudos em Sexualidade), ligado à USP, em 2008, mostram que a iniciação sexual acontecia, principalmente, na faixa etária dos 13 aos 17, com concentração maior aos 15 anos. Alerta-se que ao mesmo tempo em que o jovem permite adentrar em um mundo de novas descobertas, pode inseri-lo em um grupo de vulnerabilidade a doenças sexualmente transmissíveis (DST). Essa inserção pode ter como desfecho, também, a ocorrência de gravidez.
Além disso, a incidência de gravidez no público juvenil ainda é um fato que preocupa a Saúde e outros setores da sociedade. São diversos fatores que implicam na intervenção e debate do assunto. Alguns deles são a propensão de riscos na gestação devido à falta de preparo do corpo das adolescentes, além de comprometer o desenvolvimento social das jovens mães. A médica obstetra Dra. Rosangela Maldonado, explica que uma moça mais nova ao engravidar está mais propensa aos riscos da gestação. “Ela não tem maturidade do sistema reprodutor, pois o mesmo ainda não foi totalmente desenvolvido. Em geral, os riscos de uma gravidez são o abortamento espontâneo, o parto prematuro e o desenvolvimento de hipertensão arterial. O grupo mais propenso a esse risco está na faixa etária de 11 a 15 anos”, explica.
Portanto, são necessárias medidas que atenuem a problemática. Em suma, é preciso uma ação do Ministério da Saúde (MS), que deve criar um programa que, por meio das escolas, promovam o conhecimento sobre sexualização, como aulas de Biologia e palestras sobre a fisiologia humana. Com a finalidade de contribuir para a formação integral dos estudantes da rede de educação básica por meio de ações de prevenção, promoção e atenção à saúde. E assim, o estorvo poderá ser uma mazela passada na História brasileira.