Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 30/09/2019
Embora o Brasil seja um país laico, ainda vive preso às amarras do catolicismo. A partir disso, a discussão da educação sexual tem sido um tabu no século XXI, consequentemente o número de gestações precoces cresce de forma progressiva atrelada ao distanciamento familiar e à evasão escolar. Nesse contexto, a gravidez na adolescência é uma problemática que precisa ser averiguada, assim como suas origens.
Antes de tudo, em sua última obra, Zygmunt Bauman retratou a respeito da “retrotopia”, termo este que evidencia que nos momentos atuais, os indivíduos possuem mais apego às situações do passado, como um desejo de retorno ao pretérito e fecham-se para ocorrências hodiernas. Exemplo disso é a falta de tutela familiar em relação às DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) e métodos contraceptivos, visto que muitos pensam que ao dialogar sobre o assunto estará estimulando o ato ao invés de conceder um mera orientação. Com isso, fica explícito a propagação de valores de séculos passados.
Outrossim, a não atratividade das escolas ao olhar dos jovens faz com que os números da evasão escolar acentuem paulatinamente. Como consequência, entes imaturos, sem instrução e nem qualificação ficam a mercê da margem social. Nesse ínterim, segundo dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), no Brasil, 75% das adolescentes que possuem filhos estão fora da escola. Fato este que comprova o vínculo direto entre gravidez precoce e evasão escolar, deixando notória a necessidade de melhoria no campo educacional.
Destarte, a frase de Maquiavel, “Os fins justificam os meios”, deixa evidente que gestação precoce provém de raízes que urge mudanças. Assim, é mister que a escola, em conjunto com a família, desenvolva cartilhas para serem trabalhadas com os alunos nas aulas de sociologia e biologia, a fim de melhorar a discussão sobre o assunto da sexualidade, não com o objetivo de incentivar, mas dar condução acerca de tal. Ademais, é imprescindível que o Ministério da Educação atua de forma elementar na melhoria das instituições escolares, com aulas que chamem mais a atenção dos jovens e com programas que instiguem a participação ativa no meio escolar, como é o caso do Prêmio Arte na Escola Cidadã que incentiva o esporte, lazer e saúde. À vista disso, com essas medidas, a diminuição de fetações antecipadas seria evidente, melhorando a harmonia da comunidade e gênese desta anomalia social.