Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 22/09/2019
O documentário ‘‘Meninas’’, produzido por Sandra Werneck retrata o drama vivido por quatro adolescentes grávidas da Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, que além de enfrentarem as dificuldades financeiras ainda mais acirradas com a gravidez precoce, sofrem com a falta de segurança do local. Por mais que a obra mostre casos isolados, a gravidez na adolescência ainda persiste na sociedade brasileira, configurando não apenas um problema de saúde pública, mas também um problema social. Em vista disso, é necessário analisar as causas e consequências de tal impasse e posteriormente elaborar políticas públicas que apontem para esse viés.
Primeiramente, é notável o quanto a educação tem um papel transformador na vida dos jovens, de modo que através dela que eles têm acesso às principais orientações sobre o sexo seguro, seja para evitar uma gravidez indesejada, como para previnir a transmissão de doenças. É o que demonstra a pesquisa divulgada pela Revista Latino-Americana de Enfermagem, em que 65% das mães grávidas, de 13 a 16 anos, não tem nenhuma escolaridade. E este acesso precário à educação é ainda mais percebido nas adolescentes de periferia, que têm cinco vezes mais risco de engravidar se comparado às mais ricas.
Em segundo lugar, a gravidez precoce além de mudar totalmente a vida dessas jovens mãe, também pode trazer sérios riscos à vida dos bebês, já que a falta de informação e diálogo com os pais, potencializam os casos de aborto e atrasam o acompanhamento da gestação por um profissional, e consequentemente aumentam os riscos de doenças que poderiam ser prevenidas. Ademais, em muitos desses casos de gravidez na adolescência, a família acaba por colocar a responsabilidade por completo na menina, que além de enfrentar as maiores consequências do problema, sofrem com a negligência financeira por parte do pai da criança.
Em virtude do exposto, é imprescindível que o Ministério da Educação, por meio de verbas governamentais, contrate profissionais da área da saúde , que atuem principalmente nas escolas de periferia, de modo a elaborar palestras educativas que ensinem os cuidados necessários para um sexo seguro, e também para uma gravidez que garanta a saúde da mãe e do bebê, com o incentivo pujante ao pré-natal. Junto a isso, este mesmo ministério deve criar uma plataforma online com aulas gravadas direcionadas às jovens mães, de forma a permitir o acesso à educação mesmo em uma situação limitante. Com isso, poder-se-á reduzir os casos de gravidez na adolescência no Brasil, e garantir às adolescentes grávidas as mesmas oportunidades de ensino dos outros jovens, fazendo com que haja também as quebras dos ciclos de pobreza e exclusão social.