Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência

Enviada em 06/10/2019

É indubitável que o advento da pílula anticoncepcional foi um grande avanço para evitar gestações indesejadas. Hodiernamente, no entanto, a existência desse contraceptivo não é o suficiente para impedir a gravidez na adolescência, haja vista as poucas medidas de controle desse problema em nosso país. Nota-se, então, a necessidade de alterações nesse cenário.

Primeiramente, é preciso destacar que o conservadorismo é um dos principais entraves para reduzir o número de concepções precoces. É evidente que, a educação sexual, como a maioria dos ensinamentos, deveria ser transmitida pelos pais e principalmente pela escola. Entretanto, o conflito de ideias entre as gerações mais velhas e as mais novas, somado à esquiva dos próprios governantes de discutir o tema, faz perpetuar um grande tabu em torno da sexualidade do jovem. O resultado disso é que, de acordo com dados do IBGE, 20% dos recém-nascidos têm mães com idade entre 15 e 19 anos - idade em que deveriam estar na escola -, o que aumenta a evasão escolar de jovens e dificulta o seu desenvolvimento, pois, para Imannuel Kant, “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”.

Outrossim, é válido salientar a relação entre o machismo e a gravidez precoce. Durante a puberdade, as meninas, assim como os meninos, estão com os hormônios “à flor da pele”, porém, ao contrário do que acontece com eles, elas têm sua sexualidade reprimida. Por conseguinte, quando iniciam sua vida sexual, não só têm receio de conversar sobre o assunto com adultos experientes, mas também podem ter relações sem o uso de nenhum contraceptivo, já que a maioria dos métodos são voltados às mulheres. Todos esses fatores dão margem para a ocorrência de uma gestação indesejada que, em uma menina jovem, pode ser alvo de preconceito da sociedade e violência obstétrica, causando desde problemas psicológicos até a procura por aborto clandestino, procedimento que mata 4 mulheres por dia, segundo dados do Ministério da Saúde.

Percebe-se, então, a urgência que o tópico requer. Inicialmente, é importante que a mídia, em parceria com o Ministério da Saúde, evidencie a importância do diálogo sobre o tema da sexualidade entre os jovens, a família e a sociedade, a fim de diminuir a desinformação, o tabu e, por consequência, as gestações precoces, e isso pode ser feito por meio de campanhas, debates em talk shows na televisão e principalmente em novelas, representando as causas e consequências citadas em situação de gravidez na adolescência. Por fim, o Governo, a partir dos impostos arrecadados, pode investir na pesquisa de novos métodos anticoncepcionais voltado aos homens, a fim de diminuir a pressão da responsabilidade para a mulher e o machismo contra elas em caso de concepção acidental.