Ações governamentais para a redução da gravidez na adolescência
Enviada em 26/09/2019
O sociólogo Durkheim alegava que a consciência coletiva é imprescindível à coesão social. Nessa perspectiva, a falta de empatia com o próximo, inerente as consternações as quais favorecem a gravidez na adolescência, interfere nas relações sociais e do bem- estar comum. Isso se deve, sobretudo, à escassez da educação sexual nas escolas, bem como à carência das discussões sobre tal infortúnio no ambiente infrafamiliar. Essa circunstância demanda uma atuação mais engajada entre o Estado e as instituições formadoras de opinião, com o fito de superar tais mazelas.
Em verdade, é indubitável que a questão pedagógica e sua aplicação contribuam para potencializar o problema. Nesse ínterim, denota-se a ausência, mormente, do ensino sobre a sexualidade nas escolas, haja vista, não haver, o esclarecimento sobre tal tema por meio de aulas ou palestras, tampouco a assistência social e psicológica, o que, por sua vez, dificulta a prevenção e a conscientização dos jovens acerca da gestação. Tal cenário comprova-se por dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o qual demonstrou que a cada 5 bebês nascidos, 1 possui a mãe adolescente. Por conseguinte, essa conjuntura corrobora para a marginalização social dos indivíduos em razão de, até mesmo, sanarem sua dúvidas sobre o assunto em sites pornográficos, por exemplo, cujo fato contribui para o agravamento do evento.
Cabe salientar, outrossim, a conformidade desse contexto com o professor Zygmunt Bauman, o qual evidencia a modernidade líquida a partir da fluidez nas relações do cotidiano. Sob esse prisma, a existência massiva de famílias desorganizadas está sensivelmente ligada aos casos de gravidez na adolescência. A situação em voga relaciona-se por insuficientes diálogos entre os indivíduos, a considerar muitas vezes, não entender a discussão em grupo necessária ou, inclusive, deterem a mesma experiência. Com efeito, o filósofo Pierre Bourdieu, em sua obra “Habitus”, infere que a reprodução de comportamento se disseminam para a geração, o que, fatalmente, incentivará os cidadãos a adotarem tal condição como sensata e, assim, promover a continuidade aos descendentes.
Urge, portanto, que, diante da realidade nefasta da gravidez entre os jovens, a necessidade de intervenção se faz imediata. Para tanto, cabe ao Estado, em consonância com o Ministério da Saúde, elaborar um programa de assistência sexual, em particular nas escolas, por intermédio de aulas e o direcionamento de psicólogos e assistentes sociais, a fim de debater sobre a prevenção e as consequências da problemática. Ademais, compete à família realizar o diálogo acerca da temática, no intuito de fomentar uma mentalidade racional e consciente entre a juventude. Destarte, a coesão proposta por Durkheim será gradativamente efetivada.